Dow Jones e Agência Estado
De Washington
A Casa Branca informou ontem que a renúncia presidente russo Boris Yeltsin foi um ‘‘passo dramático’’, mas não uma completa surpresa. O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, foi notificado da saída de Yeltsin antes do amanhecer por Sandy Berger, assistente para assuntos de segurança nacional.
Após a confirmação sobre a renúncia, o porta-voz da Casa Branca, James Fallin, disse que a decisão de Yeltsin era um passo dramático, mas não uma surpresa total, citando que várias matérias especulativas foram publicadas sobre os problemas de saúde do presidente russo, de 68 anos.
Por meio de comunicado, Clinton prestou homenagem a Yeltsin dizendo: ‘‘Tivemos nossas diferenças, como no caso da Chechênia, mas as minhas referências e as do presidente Yeltsin sempre foram como a Rússia e os Estados Unidos poderiam trabalhar para progredir em interesses comuns.
O primeiro-ministro Vladimir Putin, que ocupará a presidência da Rússia interinamente, é considerado muito profissional por autoridades norte-americanas.
Repercussão O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, declarou ontem que o mundo é um lugar mais mais seguro e estável por causa da forte liderança que Boris Yeltsin exerceu sobre a Rússia ao longo da última década. Blair fez o comentário logo após Boris Yeltsin renunciar ao cargo.
‘‘Boris Yeltsin exerceu um papel crucial na história da Rússia. Ele comandou o país através de uma fase difícil de transição do comunismo para a democracia. Em todos os momentos cruciais, suas decisões reforçaram o processo de reformas e tornaram a Rússia um parceiro mais próximo do Ocidente, tanto em termos políticos como econômicos’’, afirmou Blair.
Já o primeiro-ministro da França, Lionel Jospin, foi mais econômico nos elogios a Yeltsin. ‘‘Nesse momento, eu me limito a dizer que a decisão de Yeltsin em renunciar, designar Vladimir Putin como presidente interino e marcar uma data para as eleições presidenciais respeita a constituição russa’’, disse Jospin durante visita a áreas atingidas pelas tempestades que assolaram a França nos últimos dias.
Jospin, no entanto, se recusou a comentar quem seriam esses novos líderes políticos russos e se a renúncia afetaria as relações da Rússia com o resto do mundo. ‘‘Um novo período eleitoral vai começar e as regras democráticas prevalecerão. Não tenho outros comentários a fazer’’, disse o primeiro-ministro francês.
O presidente da República Checa, Vaclav Havel, disse que acredita que a eleição de um novo presidente russo será realizada de acordo com os mecanismos constitucionais.