Com sua retirada precipitada do sul do Líbano anteontem, Israel sofre sua primeira grande derrota desde a criação de seu Estado, em 1948, ao não poder mais fazer frente à resistência popular libanesa.
‘‘É a primeira vez que Israel perde uma guerra, mas esta já estava perdida desde o dia em que se declarou’’ (há 23 anos), avalia o historiador militar Martin Van Creveld.
Segundo o especialista, a derrota não deve ter implicações no equilíbrio de forças com a Síria e os outros países árabes, ‘‘que sabem muito bem o que é a potência militar israelense’’. No entanto, a vitória do Hezbolá poderá incentivar os palestinos e criar um terreno fértil para uma nova Intifada (rebelião popular).
‘‘Israel retirou-se porque nossa população já não suporta pagar com a morte de 20 soldados por ano, em média, o preço da presença do exército no Líbano, mas não se pode, por isso, falar de uma derrota militar’’, afirma, por sua parte, Sholomo Brom, um dos principais pesquisadores do Centro Jaffe de estudos estratégicos da Universidade de Tel Aviv.
‘‘As imagens da retirada são certamente humilhantes, mas Israel optou pela única solução razoável e, a longo prazo, isso o reforçarᒒ, considera, por sua parte, o presidente da Comissão de Relações Exteriores e da Defesa do parlamento, Dan Meridor. ‘‘A retirada apresenta perigos, mas é um mal menor’’, acrescentou.

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