Havana - A saída da cena política de Fidel Castro inaugura um período de alto risco para Cuba, entre as aspirações da população por uma abertura e a rigidez de um regime em busca de um novo alento, quase meio século após sua fundação em 1959. O núcleo dirigente de seis pessoas designado por Fidel Castro para apoiar seu irmão Raúl e controlar a situação é, deste ponto de vista, uma mistura sutil entre a ''velha guarda'' do castrismo e uma geração mais nova e sem dúvida mais preparada para os enormes desafios do país, estimam os analistas.
Sob o olhar vigilante de José Ramon Machado Ventura, 75 anos, organizador histórico do Partido Comunista Cubano (PCC), e de José Ramon Balaguer, 74, outro veterano do comunismo mais ortodoxo, o vice-presidente Carlos Lage, 54, artífice das tímidas reformas econômicas dos anos 90, deverá assegurar, junto com Raúl, a continuidade dos grandes programas lançados por seu irmão.
Raúl ainda é assessorado pelo presidente do Banco Central, Francisco Soberon, 62, que acaba de entrar no Comitê Central do PCC, e pelo jovem chefe da diplomacia cubana, Felipe Perez Roque, 41, que por sete anos foi secretário particular de Fidel. A ligação entre os dois grupos está a cargo do ideólogo do regime, Esteban Lazo, 61, formado em economia.
Única figura ''brilhante'' do regime, Ricardo Alarcon, 69, foi durante 12 anos representante de Cuba na ONU e atualmente preside o Parlamento. Ele ainda não assumiu nenhuma função particular no núcleo de governo e funciona como um ''coringa'' próximo a Raúl.
A equipe interina parece estar fazendo um esforço para preencher o sentimento de vazio político: a extraordinária personalização do poder por quase meio século fez de Fidel o único ''comunicador'' do país. Até então um homem à sombra do regime, Raúl Castro é agora objeto de uma ''campanha de promoção'' na mídia oficial, numa preparação para uma aparição pública, muito esperada por uma população ainda cética em relação ao novo dirigente.
Oposição A manutenção da estabilidade política tornou-se esta semana a prioridade de Raúl: invocando o tradicional ''perigo americano'', o ministro da Defesa ativou imediatamente seu aparelho de segurança para prevenir qualquer tentativa de oposição nas ruas.
As Forças Armadas Revolucionárias (FAR), o exército cubano, reduzido a 50 mil homens, abriga em seu seio jovens oficiais favoráveis a uma evolução do regime, mas pouco dispostos a se arriscar numa aventura. A população, que sobrevive com um salário médio de cerca de 15 dólares numa economia fortemente subvencionada, sofreu, sobretudo nas cidades, com a recessão dos dois últimos anos, que se seguiu às modestas reformas econômicas da década anterior.

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