A saída de De la Rúa aprofundou ainda mais a crise econômica pela qual passava o país uma recessão que já durava três anos. Entre 1999 e 2002, o PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas pelo país) caiu quase 20%. Só em 2002, a retração foi de 10,9%.
O ano de 2002 também foi o auge da crise social. A taxa de desemprego atingiu o recorde de 21,5% em maio, empresas fecharam as portas e o crédito praticamente deixou de existir.
Os reflexos são sentidos até hoje: mais de metade da população ainda vive abaixo da linha da pobreza, sendo que mais de 25% são consideradas indigentes. As crianças são as mais afetadas pela fome e pelas más condições de sobrevivência.
O auge da explosão social argentina foi em dezembro de 2001, quando a população, insatisfeita com os rumos que o governo dava à economia como ajuste fiscal e confisco de contas bancárias, com a criação do chamado ''corralito'' foi às ruas pedir a renúncia de De la Rúa.
Os dias mais violentos dos protestos foram 19 e 20 de dezembro. O presidente De la Rúa decretou estado de sítio. Antes de terminar seu pronunciamento televisivo a todo o país, milhares de argentinos já saíam às ruas batendo panelas. Até o final do dia o ministro da Economia, Domingo Cavallo, havia se demitido.
Após a renúncia, a Argentina teve cinco presidentes em 13 dias. Nesse período, o país decretou moratória com os credores privados e anunciou o fim da conversibilidade cambial que atrelou o peso ao dólar norte-americano por 10 anos.
O fim do troca-troca veio com a posse de Eduardo Duhalde, em janeiro. Foi ele quem conduziu a transição para uma nova eleição e retomou as negociações com credores privados e FMI (Fundo Monetário Internacional).
Néstor Kirchner tomou posse em maio deste ano, com 22% dos votos depois que o ex-presidente Carlos Menem desistiu de disputar o segundo turno das eleições. Menem teve 35% dos votos no primeiro turno.
Em setembro, o país conseguiu fechar um novo acordo com o FMI no valor de US$ 12 bilhões. O anúncio veio um dia depois de o país ter decretado moratória de uma dívida de US$ 2,9 bilhões com o Fundo.
O acordo foi considerado uma vitória do governo argentino, que conseguiu fixar uma meta de superávit primário de 3% do PIB o FMI queria 4% e incluir metas sociais no programa de financiamento.
Agora, o país negocia com os credores privados a reestruturação de uma dívida de quase US$ 90 bilhões que está em moratória desde janeiro.
O governo quer pagar apenas 25% do total, mas tem enfrentado resistência entre os credores. Alguns já optaram por processar o país e tentar receber o valor integral da dívida. A.F.

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