Três dos principais assessores do presidente dos EUA, Bill Clinton, não vão ajudá-lo na maior batalha de sua Presidência: a do impeachment, com início marcado para novembro e fim ainda indefinido. O primeiro a deixar a Casa Branca foi Mike McCurry, porta-voz e principal estrategista de comunicação de Clinton. Esta semana, sai Erskine Bowles, o frio chefe da Casa Civil. Em novembro, é a vez de Rahm Emanuel, o seu mais importante conselheiro político.
Nenhuma das três demissões tem a ver com o escândalo Monica Lewinsky. Quer dizer: ninguém está partindo em protesto ou por ter se sentido decepcionado com o presidente. Ao contrário, os três teriam saído antes se não tivesse ocorrido o escândalo. Ficaram mais do que desejavam no governo por não querer bancar ratos abandonando o navio em perigo. Mas, exatamente porque nenhum deles é rato, todos farão muita falta a Clinton quando ele estiver mais necessitado de auxílio.
Os substitutos são muito inferiores. Joe Lockhart, que assumiu o posto de McCurry, é bem-humorado como o antecessor, mas muito menos carismático e articulado. John Podesta, que fica no lugar de seu atual superior imediato, Bowles, é bom administrador, mas não chega aos pés do homem que conseguiu colocar ordem no caos que era a Casa Branca até o fim do primeiro mandato de Clinton. Paul Begala, que vai ocupar a vaga de Emannuel, é mero aprendiz de feiticeiro, discípulo de James Carville, o fanfarrão, mas sem dúvida capaz, assessor para missões impossíveis de Clinton.
A nova geografia do poder na Casa Branca para a batalha do impeachment terá uma característica vital: a esquerda estará com influência maior do que jamais teve no governo Clinton. É a esquerda do Partido Democrata que está apoiando Clinton. Clinton vai combater o impeachment com o apoio de quem pior dialoga com a oposição. Se ele quer acordos, isso não é nada bom.
Durante a Revolução Conservadora dos anos 80, um grupo de governadores de Estados pequenos do sul dos EUA organizou um movimento no Partido Democrata para torná-lo mais ‘‘moderno’’, ou seja, menos de esquerda. À frente deles, Bill Clinton, do Arkansas. Seu discurso roubou muitas das bandeiras do Partido Republicano e levou os democratas de volta à Casa Branca.
No caminho para Washington e depois de instalado no poder, Clinton humilhou a ala liberal do seu partido. Marginalizou Jesse Jackson na campanha de 1992. Jogou pesado contra a esquerda na batalha do Nafta (tratado norte-americano de livre comércio), em 94. Promoveu a mutilação do sistema de previdência social em 96.
Agora, quando sua Presidência está ameaçada pelo escândalo Monica Lewinsky, são os liberais do partido que apóiam Clinton de maneira decisiva. Os centristas o estão abandonando às pressas. Todos os 31 deputados que votaram com a oposição pela resolução de impeachment mais ampla e irrestrita foram ‘‘novos democratas’’, como se intitulavam os seguidores do governador Clinton.
É verdade que no mínimo metade deles agiram por pragmatismo: com a reeleição ameaçada, não podiam abrir brecha para ataques.

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