Said, 17 anos, quer ser um mártir
Deitado em uma cama de hospital, Said, um palestino de 17 anos ferido a bala durante os confrontos, sonha em tornar-se um mártir e garante que, quando se curar, continuará combatendo a pedradas os soldados israelenses.
Quando me levantar, aonde irei? Aonde poderia ir? Vou continuar atirando pedras neles e espero tornar-me um shahid, um mártir, dissee Said, ao ser perguntado se seguiria participando da Intifada, a revolta contra Israel.
Os médicos informaram que o jovem fraturou uma tíbia, ao ser ferido por soldados israelenses tão jovens quanto ele. Para a família, Said é um valente combatente da guerra santa contra Israel. Lutamos para recuperar nossos direitos, é normal. É necessário que haja sacrifícios, é o preço que devemos pagar, disse, sorridente, o pai de Said, que tem outros sete filhos. Ele é voluntário, não me pediu permissão. Todos concordamos com
o seu combate, mas, quando o vi ferido, me deu muita dor, comenta, com menos entusiasmo, sua mãe, coberta com um véu preto. Ao ouvir os pais, Said não esconde seu orgulho. No peito, o jovem leva uma medalha da mesquita Al Aqsa, de Jerusalém, em homenagem ao seu compromisso com a Intifada.
Said, que vive no acampamento de Jabalia, ao norte da cidade de Gaza, explica que, desde que explodiu a violência entre palestinos e israelenses, ele passou a ir todos os dias de ônibus, ou a pé com outros vizinhos, lançar pedras contra os soldados de Israel.
Crianças e adolescentes são os protagonistas dos grupos que enfrentam os soldados diariamente. Israel acusa a Autoridade Palestina de pôr as crianças na linha de frente durante os enfrentamentos.
Para fazer a foto, o pai de Said o cobre com a bandeira palestina. Os outros jovens feridos também querem ser fotografados. Uma mãe grita: Foi meu filho quem arrancou a bandeira de Israel de Netzarim!
Netzarim, no Sul de Gaza, abriga uma colônia judaica. Ali, houve confrontos e a morte do pequeno Mohamed, cuja foto deu a volta ao mundo.
Said mostra seu braço ferido e permanece em silêncio. Apesar dos seus 17 anos, aparenta ter 12. A mãe, Huda, olha para ele e afirma: os israelenses destruíram nossas casas. Tenho 10 filhos e vou enviá-los todos para combater.





