Sai hoje veredito do caso Lockerbie
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quarta-feira, 31 de janeiro de 2001
Associated Press De Camp Zeist, Holanda 
Juízes da Suprema Corte da Escócia anunciarão amanhã o longamente esperado veredito sobre o caso Lockerbie, informou ontem o tribunal. A decisão será anunciada pela manhã na especialmente construída sala de tribunal de alta segurança na Holanda, disse o presidente do júri, lord Ranald Sutherland.
Não nos propomos a emitir um veredito hoje, disse Sutherland. O julgamento do caso Lockerbie ocorre em Camp Zeist, uma antiga base aérea dos Estados Unidos, onde os juízes ouviram o caso contra dois líbios acusados de terem explodido o Vôo 103 da Pan Am. O atentado, ocorrido em 21 de dezembro de 1988, matou 270 pessoas.
Abdel Basset Ali al-Megrahi, 48 anos, e Lamen Khalifa Fhimah, 44 anos, são acusados de terem enviado a bomba numa maleta do aeroporto de Luqa, em Malta, que foi transferida no aeroporto de Frankfurt para o Jumbo da Pan Am que se dirigia para Nova York. Os acusados se entregaram em abril de 1999.
Desde o início do julgamento em 3 de maio, a corte esteve em sessão por 85 dias. Os três membros do tribunal e um juiz substituto retiraram-se em 18 de janeiro para considerar 10.232 páginas de depoimentos de 235 testemunhas.
São três os vereditos possíveis pelas leis escocesas: culpado, inocente ou não provado. Qualquer veredito que não o de culpado resultará na imediata libertação dos réus. Mas se forem declarados culpados, a pena máxima a que estarão sujeitos é prisão perpétua na Escócia. A defesa teria duas semanas para recorrer do veredito de culpado. Qualquer apelação será ouvida por um tribunal em Camp Zeist.
Durante os 78 dias de testemunhos, o caso dos promotores pareceu estar perseguido por problemas. Uma testemunha de acusação, um operador de máquina de raio-X do aeroporto de Frankfurt, não se apresentou à corte e foi encontrado inconsciente em seu apartamento, cercado por garrafas de bebidas alcoólicas. Outra testemunha mudou sua história tantas vezes que os advogados de defesa questionaram sua credibilidade, e ainda outra confundiu um terrorista palestino com um dos acusados entre uma série de fotos.
O professor Robert Black, da Escola de Direito de Edinburgo, um crítico do caso montado pela promotoria, acredita que os dois líbios serão inocentados. Acreditava-se que os juízes ainda levariam semanas para chegar a um veredito, devido à complexidade das questões levantadas pela defesa. Parece-me que vão inocentar os dois, afirmou Black. Caso contrário, o veredito deveria ter o tamanho de uma novela, e eles (os juízes) não tiveram tempo para escrever tanto.


