Bagdá - A avidez dos colecionadores por objetos ligados a Saddam Hussein gerou uma verdadeira 'Saddamania' no Iraque e fez com que os preços dessas cobiçadas relíquias disparassem, dois meses depois da queda do ditador.
Na movimentada rua de Bab Charqi, no centro de Bagdá, os curiosos se amontoam em torno de banquinhas onde são vendidos vídeos piratas com títulos significativos como ''Os crimes de Saddam'' , ''Os Fedayeenes'' e ''O Aniversário de Hala'', a mais jovem das filhas do ex-presidente.
''Os vídeos sobre os horrores de Saddam ou sua vida particular vendem como pão quente. Depois de 35 anos de censura total, os iraquianos estão com sede de ver o que nunca teriam ousado imaginar'', explica Aus Abddulah, dono de uma loja de reprodução de fitas e CDs.
''Enviamos cerca de 10 mil exemplares por dia aos vendedores varejistas, a um preço de 550 dinares (0,50 dólar) cada um, para serem revendidos a 750 dinares (0,75 dólar)'', precisa.
No mercado de Al Churja, Haytham, um antiquário, vende uma foto de Saddam bem jovem por 20 dólares, ao contrário dos dois dólares que valia há apenas dois meses, e se nega a entregar por menos de 250 dólares uma medalha banhada a ouro da Ordem Al Rafidain (os dois rios), a maior distinção concedida pelo ex-presidente.
A peça mais procurada por soldados americanos e jornalistas estrangeiros são os relógios com o rosto de Saddam. ''Pagam até 100 dólares por um relógio, cujo preço girava em torno dos três dólares antes da ocupação. Os clientes árabes pagam com o maior prazer, enquanto que os iraquianos os olham com visível repugnância'', acrescenta.

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