São Paulo - O julgamento do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e de sete de seus colaboradores foi adiado ontem até o dia 28 de fevereiro. Durante a audiência de ontem, Saddam anunciou que está em greve de fome em protesto contra o juiz que preside seu julgamento, Raouf Abdel Rahman.
Ao entrar na sala de audiência, o ex-líder iraquiano demonstrou seu apoio à insurgência ao gritar: ''Vida longa aos mujahidin (guerreiros)''.
Em seguida, começou a gritar com o juiz. ''Estou há três dias em greve de fome, em protesto contra a forma como você tem nos tratado'', disse Saddam a Rahman.
Um dos sete colaboradores de Saddam, Awad Hamed al Bandar, também afirmou na sessão de ontem estar em greve de fome.
No domingo, os advogados de defesa do ex-ditador tinham afirmado, da Jordânia, que os oito réus estariam em greve de fome mas, em seguida, negaram a informação.
Ontem, a promotoria pretendia chamar mais testemunhas que fizeram parte do regime de Saddam entre elas, Fadel Mohammed, ex-funcionário da inteligência e Hamed Youssef Hamadi, que era ministro da Cultura durante o governo de Saddam.
Um total de 16 testemunhas já prestaram depoimento desde o início do julgamento do ex-ditador, em 19 de outubro de 2005. Muitas delas relataram episódios de tortura e prisões ilegais.
Saddam e sete de seus ex-colaboradores são julgados pelo massacre de 148 xiitas, em 1982, na aldeia de Djauil, em uma suposta represália por uma fracassada tentativa de assassinato contra o ex-ditador.
Na sessão de segunda-feira, dois documentos foram mostrados ao júri pela promotoria. Um deles que era escrito em árabe e ratificava as execuções em Dujail era datado de 1984 e supostamente escrito e assinado por Saddam.
Outro documento, de 1987, dizia que duas pessoas condenadas à morte devido ao massacre em Dujail não deveriam ser executadas devido à sua idade avançada e que os responsáveis pela imposição da pena deveriam ser ''investigados''.

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