Saddam tem última chance, diz Clinton
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quinta-feira, 19 de fevereiro de 1998
Reuter 
France Presse
Poder de fogoUm caça-bombardeiro Harrier GR7 decola do porta-aviões britânico Invincible durante exercício no Golfo Pérsico. Koffi Annan (foto de baixo) chega hoje a Bagdá
O presidente americano, Bill Clinton, afirmou ontem em Washington que a missão que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, inicia hoje em Bagdá é a última chance de se alcançar uma saída pacífica para a crise com o Iraque e reiterou que, se fracassar, os EUA estão preparados para agir.
Como preparação para o possível ataque, Clinton pediu que seu vice, Al Gore, adie a visita que iniciaria segunda-feira à África do Sul. Segundo fontes do Pentágono, o secretário da Defesa, William Cohen, também adiará uma viagem à América do Sul. Quero que todos meus colaboradores estejam junto a mim durante a crise, afirmou Clinton.
Falando a jornalistas após conversar por telefone com o presidente francês Jacques Chirac, Clinton disse que ambos vêem a viagem de Annan como uma oportunidade crítica para evitar um ataque liderado pelos EUA contra o Iraque que se nega a permitir o acesso incondicional de inspetores da ONU a oito palácios suspeitos de esconder armas de destruição em massa.
Segundo um mapeamento feito por técnicos enviados por Annan, os oito palácios cobrem, juntos, uma área de 70 quilômetros quadrados.
O secretário-geral é apoiado por uma posição clara do Conselho de Segurança: Saddam Hussein precisa dar aos inspetores de armas acesso total, livre e irrestrito a todos os lugares suspeitos em qualquer parte do Iraque, assinalou o presidente. A escolha é de Saddam. Esperamos que ele aceite o mandato da comunidade internacional, caso contrário, será responsável pelas consequências.
Clinton aconselhou o presidente iraquiano a não interpretar os protestos enfrentados na véspera por altos funcionários em Ohio, durante um debate sobre a crise transmitido para o mundo pela TV CNN (v. abaixo), como um sinal de falta de apoio popular para um ataque. Ele não fará isso se souber a principal coisa sobre a América, disse o presidente. Tratou-se de um bom debate americano à moda antiga, acrescentou. Acredito firmemente que a maioria dos americanos apóia nossa política e nossa resolução.
Segundo duas pesquisas divulgadas ontem - uma pela TV CNN e outra pela CBS -, três entre quatro americanos apoiariam bombardeios aéreos contra o Iraque se Clinton os ordenasse.
Antes de seguir para Bagdá, Annan reuniu-se ontem em Paris com Chirac e garantiu ter margem de manobra suficiente para acertar com Saddam um acordo que permita a inspeção dos palácios e seja aceitável para todos os membros do Conselho de Segurança.
Ele admitiu que sua tarefa é difícil, mas reiterou estar razoavelmente otimista, assinalando que a situação agora não é tão grave como na época da Guerra do Golfo: 1998 não é 1991. Os elementos são diferentes, a história é diferente. O Iraque já foi atacado várias vezes - e sabe o que acontece quando a comunidade internacional decide recorrer à força.
O enviado especial da Rússia ao Iraque, Viktor Posuvalyuk, afirmou, após reunir-se com Saddam, que o presidente iraquiano prometeu trabalhar para que Annan tenha sucesso. A liderança iraquiana, disse o presidente, irá tomar todas as medidas para garantir o sucesso da missão de Annan, afirmou Posuvalyuk.


