France Presse





Poder de fogoUm caça-bombardeiro Harrier GR7 decola do porta-aviões britânico Invincible durante exercício no Golfo Pérsico. Koffi Annan (foto de baixo) chega hoje a Bagdá

O presidente americano, Bill Clinton, afirmou ontem em Washington que a missão que o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, inicia hoje em Bagdá é a última chance de se alcançar uma saída pacífica para a crise com o Iraque e reiterou que, se fracassar, os EUA ‘‘estão preparados para agir’’.
Como preparação para o possível ataque, Clinton pediu que seu vice, Al Gore, adie a visita que iniciaria segunda-feira à África do Sul. Segundo fontes do Pentágono, o secretário da Defesa, William Cohen, também adiará uma viagem à América do Sul. ‘‘Quero que todos meus colaboradores estejam junto a mim durante a crise’’, afirmou Clinton.
Falando a jornalistas após conversar por telefone com o presidente francês Jacques Chirac, Clinton disse que ambos vêem a viagem de Annan como ‘‘uma oportunidade crítica’’ para evitar um ataque liderado pelos EUA contra o Iraque que se nega a permitir o acesso incondicional de inspetores da ONU a oito palácios suspeitos de esconder armas de destruição em massa.
Segundo um mapeamento feito por técnicos enviados por Annan, os oito palácios cobrem, juntos, uma área de 70 quilômetros quadrados.
‘‘O secretário-geral é apoiado por uma posição clara do Conselho de Segurança: Saddam Hussein precisa dar aos inspetores de armas acesso total, livre e irrestrito a todos os lugares suspeitos em qualquer parte do Iraque’’, assinalou o presidente. ‘‘A escolha é de Saddam. Esperamos que ele aceite o mandato da comunidade internacional, caso contrário, será responsável pelas consequências.
Clinton aconselhou o presidente iraquiano a não interpretar os protestos enfrentados na véspera por altos funcionários em Ohio, durante um debate sobre a crise transmitido para o mundo pela TV CNN (v. abaixo), como um sinal de falta de apoio popular para um ataque. ‘‘Ele não fará isso se souber a principal coisa sobre a América’’, disse o presidente. ‘‘Tratou-se de um bom debate americano à moda antiga’’, acrescentou. ‘‘Acredito firmemente que a maioria dos americanos apóia nossa política e nossa resolução.
Segundo duas pesquisas divulgadas ontem - uma pela TV CNN e outra pela CBS -, três entre quatro americanos apoiariam bombardeios aéreos contra o Iraque se Clinton os ordenasse.
Antes de seguir para Bagdá, Annan reuniu-se ontem em Paris com Chirac e garantiu ter ‘‘margem de manobra suficiente’’ para acertar com Saddam um acordo que permita a inspeção dos palácios e seja aceitável para todos os membros do Conselho de Segurança.
Ele admitiu que sua tarefa é ‘‘difícil’’, mas reiterou estar ‘‘razoavelmente otimista’’, assinalando que a situação agora não é tão grave como na época da Guerra do Golfo: ‘‘1998 não é 1991. Os elementos são diferentes, a história é diferente. O Iraque já foi atacado várias vezes - e sabe o que acontece quando a comunidade internacional decide recorrer à força.
O enviado especial da Rússia ao Iraque, Viktor Posuvalyuk, afirmou, após reunir-se com Saddam, que o presidente iraquiano prometeu trabalhar para que Annan tenha sucesso. ‘‘A liderança iraquiana, disse o presidente, irá tomar todas as medidas para garantir o sucesso da missão de Annan’’, afirmou Posuvalyuk.

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