A rádio oficial iraquiana informou que o presidente Saddam Hussein visitou, durante o dia, alguns dos locais atingidos pelos bombardeios, incluindo as ruínas da casa de sua filha Hala. O presidente, mantendo a posição desafiadora de costume, ordenou que 17 de dezembro - quando começou a Operação Raposa do Deserto - passe a ser conhecido como Dia do Triunfo, em referência, segundo ele, à tomada de Meca pelo profeta Maomé há 14 séculos.
Por outro lado, o chanceler iraquiano, Mohammed Said al-Sahaf, afirmou que, além de alvos militares, os bombardeios realizados pelos EUA e britânicos atingiram instalações civis.
‘‘Há danos colaterais em vários lugares e pesadas baixas entre civis não só em Bagdá, mas também em outros lugares’’, afirmou, sem dar detalhes. Ele mencionou apenas que foi destruída a casa da filha mais nova do presidente Saddam Hussein, Hala, que não estava no local.
‘‘Entre os edifícios do governo, eles atacaram a polícia de segurança e também o QG dos serviços de inteligência militar’’, assinalou Sahaf, ressaltando que essas instalações haviam sido vistoriadas por inspetores de armas da Comissão Especial da ONU (Unscom) ‘‘mais de uma vez’’. Segundo ele, outros alvos foram ‘‘vários estabelecimentos industriais (do governo), que estavam todos sob monitoramento’’ da ONU.
Sahaf não informou se o governo permitirá a volta dos inspetores - a Unscom retirou-os quarta-feira do Iraque, horas antes do primeiro ataque americano - nem se os ataques farão o país parar de exportar a cota de petróleo permitida pelas Nações Unidas para comprar alimentos.
O chanceler acusou o presidente Bill Clinton de ter ordenado os ataques para desviar a atenção do escândalo de sexo e perjúrio que pode levar ao impeachment do dirigente americano.
‘‘Somos vítimas da crise em Washington; aqueles políticos desesperados e corruptos querem desviar a atenção de sua vida suja agredindo outras nações’’, afirmou Sahaf. ‘‘Esses funcionários dos regimes americano e britânico são uns mentirosos baratos.’’

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