O presidente do Iraque, Saddam Hussein, disse aos iraquianos em um discurso proferido ontem que seu país saiu-se vitorioso contra seus inimigos, depois de quatro dias de ataques aéreos dos Estados Unidos e Grã-Bretanha. Os ataques foram suspensos ontem. ‘‘Vocês estiveram no nível que seu líder, irmão e camarada Saddam Hussein supôs que estariam... assim, que Deus os ajude e deleite seus corações com a coroa da vitória’’, afirmou Saddam em discurso gravado e transmitido pela estação de televisão por satélite al-Jazeera, de Qatar.
Enquanto isso, o mundo reagia de maneira geral com alívio ao fim dos ataques. A Rússia expressou ontem satisfação cautelosa porque os EUA e a Grã-Bretanha puseram fim aos bombardeios, ao mesmo tempo em que os membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, França e China, conclamaram a novos esforços para resolver a crise. A Bélgica declarou que os ataques expuseram as divergências da política externa européia e alguns jornais britânicos foram muito críticos a respeito do papel de Londres na crise.
O presidente francês, Jacques Chirac, pediu uma revisão do embargo internacional contra Bagdá, que já dura oito anos, argumentando que as condições de vida do povo iraquiano necessitam ser melhoradas imediatamente. A China pediu a renovação de esforços dimplomáticos para resolver a disputa entre os inspetores de armas das Nações Unidas e o Iraque, que levou aos ataques.
O primeiro-ministro russo, Yevgueni Primakov, ao chegar a Nova Délhi para uma visita de dois dias à Índia, disse que Moscou estava satisfeito com a suspensão dos ataques aéreos, mas expressou preocupação com o fato de que é temporária.
O papa João Paulo II expressou amargura pelos ataques e ressaltou que espera que o respeito à ordem internacional seja restabelecido. ‘‘Não apenas sinto uma profunda pena pelo povo iraquiano, mas também sinto uma grande amargura de que as leis internacionais sejam desrespeitadas’’, declarou o pontífice.
O presidente francês, Jacques Chirac, insistiu na necessidade de uma profunda revisão das relações entre as Nações Unidas e Bagdá. ‘‘Antes de tudo, temos que melhorar as condições de vida do povo iraquiano, que já sofre há tantos anos. Isso é possível e necessário. Temos que fazê-lo o mais rápido possível e a França tem algumas propostas a presentar’’, acrescentou.
O primeiro-ministro Tony Blair, em discurso ontem, afirmou que as quatro noites de ataques aéreos contra o Iraque enfraqueceram de maneira severa a capacidade militar de Saddam Hussein e delinearam uma estratégia diplomática para mantê-lo ‘‘isolado’’.
Horas depois que ele e o presidente Clinton anunciaram o fim da Operação Raposa do Deserto, Blair afirmou que ambos os países estão ‘‘prontos para bombardear novamente, caso Saddam ofereça ameaça a seus vizinhas ou desenvolva armas de destruição em massa’’.
O vice-presidente iraquiano, Taha Yassin Ramadan, havia declarado anteriormente ao discurso do líder iraquiano que o país não vai concordar com novas inspeções por parte dos monitores das Nações Unidas.

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