Dubai
O presidente do Iraque, Saddam Hussein, pediu ontem a seu povo que se sacrifique, em um discurso transmitido pela televisão por motivo do 77º aniversário da criação do exército iraquiano. O ditador não citou em nenhum momento o conflito que mantém com o Conselho de Segurança das Nações Unidas e os Estados Unidos pelos controles de desarmamento no país.
O governo iraquiano está impedindo a entrada nos palácios de Saddam da comissão especial de inspetores da ONU, que suspeita que nesses locais são guardadas armas químicas e biológicas. A tensão aumentou na semana passada, quando os escritórios da organização mundial foram atacados com foguetes antitanque, que causaram apenas danos materiais.
Saddam elogiou em seu discurso de 20 minutos o trabalho do exército iraquiano durante a primeira guerra do Golfo contra o Irã, de 1980 a 1988, e durante a segunda, depois da invasão do Iraque no período de 1990 a 1991. O presidente iraquiano disse também que a população do país sairá da crise que afeta a nação com ‘‘força e paciência’’.
‘‘Temos vontade de sobreviver e de sacrificar-nos’’, disse o chefe de Estado, em seu pronunciamento transmitido pelo rádio. ‘‘As dificuldades que atravessamos não são um ônus para nós. Os passos que damos necessitam de vontade e de sacrifício’’, acrescentou. Com essas palavras, Saddam se referia às sanções econômicas impostas pela ONU, em represália à recusa do Iraque em cumprir completamente as resoluções da organização, eliminando todas as armas de destruição em massa.

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