Bagdá - Um ano depois da queda de seu regime, o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein é prisioneiro de guerra dos norte-americanos à espera de seu julgamento por um tribunal iraquiano.
Em 9 de abril de 2003, enquanto Bagdá caía sob controle das tropas da coalizão, marcando o fim do regime do partido Baath, Saddam já estava desaparecido. Procurado por mais de oito meses, o ex-homem forte do Iraque foi finalmente capturado em 13 de dezembro em seu reduto de Tikrit, norte do país.
Após várias semanas de incertezas jurídicas, os Estados Unidos revelaram formalmente no dia 9 de janeiro que Saddam Hussein teria direito ao estatuto de prisioneiro de guerra.
Desde então, não há mais qualquer informação sobre seu local de detenção. Muaffak Al-Rubai, membro do Conselho de governo transitório iraquiano, afirmou em dezembro que Saddam estava detido na região de Bagdá, mas informações do jornal britânico Independent de quarta-feira davam conta de que ele estaria numa base norte-americana no Qatar.
Desde sua captura, o ex-ditador espera seu processo por crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Este julgamento deve ser o ''processo do século'', segundo Muaffak Al-Rubai.
O ex-presidente será apresentado perante um tribunal especial iraquiano encarregado de julgar os crimes cometidos pelo antigo regime, cuja criação foi anunciada para 10 de dezembro.
Este tribunal julgará os crimes cometidos tanto contra os iraquianos, como as perseguições contra os curdos e os xiitas, como também contra os iranianos e os kuwaitianos durante as guerras do Iraque contra os dois vizinhos. A instância judicial dará os veredictos com base nas leis iraquianas e no direito internacional. Seus juízes serão iraquianos, mas poderão ser convocados especialistas estrangeiros.
As forças norte-americanas não estabeleceram nem a forma nem as datas do processo, que não deve ocorrer antes da transferência de poderes aos iraquianos, prevista para 30 de junho.

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