Saddam Hussein é condenado à morte na forca
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segunda-feira, 06 de novembro de 2006
Francepresse 
Bagdá - O ex-presidente iraquiano Saddam Hussein foi ''condenado à morte na forca'' ontem pelo Alto Tribunal Penal iraquiano, pelo assassinato de 148 xiitas do povoado de Dujail, ao norte de Bagdá, nos anos 80.
Além dele, dois de seus colaboradores mais importantes foram condenados à pena capital: seu meio irmão, Barzan al-Tikriti, diretor dos serviços de informação de seu regime, e o ex-presidente do tribunal revolucionário Awad Ahmed al-Bandar. O ex-vice-presidente de Saddam, Taha Yassine Ramadan, foi condenado à prisão perpétua.
Durante o julgamento, o juiz Rauf Rashid Abdel Rahman pediu a vários guardas da corte que obrigassem Saddam a ficar de pé mas o ex-presidente, tremendo e com uma cópia do Alcorão em sua mão esquerda, tentava atrapalhar a leitura do veredicto aos gritos. ''Não torçam meus braços, não torçam meus braços'', pedia aos guardas. Enquanto era levado de volta à sua cadeira, ainda com os braços para trás, Saddam clamou: ''Longa vida ao Iraque, longa vida aos iraquianos. Alá é maior que o ocupante''.
Os estatutos do tribunal prevêem um recurso automático de apelação em caso de pena de morte, o que pode adiar em várias semanas ou até meses a execução da pena.
O Alto Tribunal Penal aceitou o pedido do promotor Jaafar al Mussaui, para executar o ex-ditador iraquiano no dia 19 de junho.
Saddam Hussein, de 69 anos, e os outros sete co-acusados foram julgados de 19 de outubro de 2005 a 27 de julho de 2006 pelo Alto Tribunal Penal, no bairro fortificado da Zona Verde de Bagdá. Todos eles foram incriminados pela morte de 148 xiitas de Dujail, a 60 km a norte da capital iraquiana, meses depois de um ataque contra o comboio do então presidente durante uma visita a este povoado em 1982.
O tribunal realizou um total de 40 audiências e ouviu 130 testemunhas.
Sadr City, o principal reduto xiita a leste de Bagdá, comemorou com muita alegria o veredicto. Cerca de mil pessoas saíram às ruas, agitando bandeiras.
O restante da cidade ficou sob toque de recolher para evitar reações violentas dos simpatizantes de Saddam Hussein entre a minoria sunita, que foi favorecida durante 24 anos de seu regime.
O Exército iraquiano está em alerta por causa do veredicto. O governo impôs toque de recolher em outras províncias do país: Diyala, alvo da violência sectária, e Salaheddin, região natal de Saddam.
No povoado sunita de Dawr, perto de Tikrit (norte de Bagdá), onde Saddam nasceu, grupos de manifestantes se reuniram para apoiar o ex-presidente: ''Com nosso sangue, com nossas almas, te redimimos Saddam''', disse o porta-voz policial Hamed el Duri. ''Saddam viveu como um herói e morrerá como um herói'', afirmou em Tikrit o xeque Al-Nadawi, líder do grupo Baigat ao qual pertence o ex-ditador. ''A corte foi instalada por seus rivais (...) É uma farsa histórica'', acrescentou.


