Bagdá - O julgamento do deposto ditador Saddam Hussein será realizado em dois meses, ou seja, em julho, disse ontem o presidente iraquiano Jalal Talabani, em uma entrevista à rede de televisão americana CNN. A declaração sobre o julgamento de Saddam foi dada ao jornalista Wolf Blitzer: ''O governo iraquiano está fazendo todo o possível para preparar um tribunal que tenha a capacidade de decidir o futuro de Saddam Hussein'', frisou Talabani.
Já o primeiro-ministro iraquiano, Ibrahim al Jaafari, declarou ontem estar decidido a fornecer os meios necessários aos serviços de segurança para vencer os insurgentes, que voltaram a atacar, deixando 10 mortos no país. Em seu discurso perante o Parlamento, Jaafari falou dos planos de seu governo para a área de segurança.
''Vamos construir as forças armadas sobre bases sólidas, longe de toda política partidária'', declarou Jaafari, destacando que essas forças estarão submetidas à Constituição e à lei. ''Para acelerar o retorno à estabilidade, o governo disponibilizará o orçamento que for necessário para reativar os serviços secretos e de defesa nacional'', acrescentou Jaafari, um xiita que fez da segurança a prioridade de seu governo.
O primeiro-ministro também defendeu a incorporação das milícias às forças da ordem para ''acabar com o terrorismo e reduzir o tempo de permanência das forças multinacionais''. Referindo-se à ''Operação relâmpago'', lançada em Bagdá com a participação de 40 mil soldados e policiais, o primeiro-ministro afirmou que a operação deslocou a violência para fora da capital. Um exemplo, segundo ele, teria sido o duplo atentado de segunda-feira em Hilla (100 km ao sul de Bagdá), reivindicado pelo grupo do extremista jordaniano Abu Musab al Zarqawi, que deixou 27 mortos e 118 feridos.

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