Saddam diz que seu julgamento é um teatro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 01 de julho de 2004
Agência Folha 
São Paulo - O presidente iraquiano Saddam Hussein, há 15 meses deposto por forças lideradas pelos EUA, compareceu ante os juízes que vão ler os termos de seu indiciamento e que devem julgá-lo por crimes de guerra e genocídio, segundo informações de militares americanos.
Durante a audiência, que durou cerca de 30 minutos e ocorreu em local secreto, Saddam teria defendido a invasão do Kuait, em 1990, e chamado os kuaitianos de ''cachorros'. Ele também teria afirmado que seu julgamento é um ''teatro' e que o presidente dos EUA, George W. Bush, é o verdadeiro ''criminoso' da situação.
Saddam, que foi entregue ontem ao governo interino do Iraque, compareceu ao tribunal vestido com uma roupa preta e se negou a assinar a ata de acusação na ausência de um advogado.
Esta é a primeira aparição de Saddam na corte criada especialmente com o objetivo de julgá-lo, além de 11 de seus assessores. A audiência ocorre em local secreto, acredita-se que perto de Bagdá.
Nervosismo- Anteontem, quando foi entregue aos iraquianos, o ex-ditador estava nervoso porque não entendia o que estava acontecendo, disse o responsável pelo Tribunal Especial Iraquiano (TSI), Salem Chalabi.
Saddam, acusado por iraquianos de ordenar a morte e a tortura de milhares de pessoas durante os 35 anos do regime do partido Baath, estava sendo mantido como prisioneiro de guerra desde que as forças dos EUA o encontraram escondido em um buraco perto de sua cidade natal, Tikrit, em dezembro.
Violência- Ontem o diretor do serviço de controle financeiro do Ministério de Finanças, Ihsan Karim, morreu em um hospital de Bagdá (capital), poucas horas depois de ter sido gravemente ferido em um atentado.
No ataque também morreram seu motorista e um de seus guarda-costas, de acordo com o médico Osama Fares, do hospital Chahid Adnan, especializado em neurocirurgia e situado na Cidade Médica da capital iraquiana.
O comboio de Karim foi atingido por uma bomba às 8h locais (1h de Brasília) no bairro de Al Yarmuk, zona oeste da capital.
Em Fallujah (50 km a oeste de Bagdá), ao menos sete pessoas morreram em um ataque aéreo realizado pelas forças dos EUA na madrugada de ontem, segundo informações de um hospital local. O general americano Mark Kimmitt estimou que entre 10 e 15 combatentes iraquianos morreram.
''Sete corpos foram trazidos ao hospital e sete feridos foram internados, entre eles mulheres e crianças'', declarou um membro do serviço de admissões do hospital, que pediu anonimato. Este balanço foi confirmado pelo diretor do hospital, o médico Rafaa Hiad.
Substituição- O oficial americano de maior graduação no Iraque, o general Ricardo Sánchez, deixou seu cargo ontem para ser substituído pelo general George Casey no comando da força multinacional.
A cerimônia de transmissão do comando foi realizada na base militar Victory, a principal base americana em Bagdá, situada nas proximidades do aeroporto.


