Saddam diz em julgamento que ainda era presidente
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quarta-feira, 15 de março de 2006
Folhapress 
São Paulo - O juiz que preside o processo de Saddam Hussein que testemunhou à corte pela primeira vez ontem fechou a 17 sessão do julgamento ao público alegando que o ex-ditador estaria fazendo ''discursos políticos''.
Durante seu depoimento, Saddam afirmou que ainda era o presidente do Iraque e pediu que os iraquianos interrompam os ataques da nova onda de violência sectária no país.
O juiz Raouf Abdel Rahman pediu então que ele interrompesse o discurso ''de teor político''. Depois que Saddam se recusou a parar seu testemunho, Rahman declarou a sessão fechada ao público, pedindo que jornalistas deixassem a sala de audiência.
Saddam foi o último dos oito réus do processo a depor perante a corte. Embora ele tenha se pronunciado em diversas ocasiões durante o julgamento que teve início em 19 de outubro foi a primeira vez que o juiz e a promotoria o interrogaram diretamente.
Em suas declarações, Saddam falou da recente onda de violência no Iraque. ''O que mais me dói é que ouvi recentemente sobre um plano para prejudicar nosso povo'', afirmou o ex-ditador. ''Minha consciência me diz que o grande povo iraquiano não tem nada a ver com estes atos'', disse Saddam, em referência ao ataque contra um importante santuário xiita em Samarra, que desencadeou a onda de ataques.
Rahman interrompeu Saddam, dizendo que ele não tinha permissão para fazer discursos políticos na corte. ''Eu sou chefe de Estado'', respondeu Saddam. ''Você já foi um chefe de Estado. Hoje você é um réu'', disse o juiz.
Saddam prosseguiu com o discurso, pedindo que iraquianos não lutem entre si. ''O que aconteceu nos últimos dias é ruim'', afirmou ele, referindo-se à violência. ''Vocês viverão na escuridão e em rios de sangue sem razão''. O ex-ditador fez ainda elogios à insurgência sunita. ''Sob meu ponto de vista, vocês são a resistência à invasão americana'', afirmou.
A sessão de ontem teve início com o interrogatório de Barzan Ibrahim, meio-irmão do ex-ditador e ex-chefe da inteligência durante o regime de Saddam, que durou cerca de três horas.
Questionado por Rahman e pela promotoria, que apresentou dezenas de documentos da agência de inteligência Mukhabarat sobre o massacre, Ibrahim negou sua participação na ação.
Ibrahim afirmou que os documentos apresentados eram ''falsos'' e que as assinaturas contidas neles eram ''forjadas''. ''Não é verdade. É forjado. Todos nós sabemos que falsificações acontecem'', afirmou à corte.
Esta é a 17 sessão do processo iniciado em 19 de outubro contra Saddam e sete altos funcionários de seu regime. Os oito réus são acusados pelo massacre de 148 xiitas na cidade de Dujail, ao norte de Bagdá, ocorrido após uma suposta tentativa de assassinato contra Saddam em 1982.


