Bagdá O presidente iraquiano Saddam Hussein conclamou ontem à jihad, a guerra santa, em discurso pronunciado em seu nome na televisão pelo ministro da Informação, Mohamed Said Al Sahhaf. ''A agressão levada adiante é dirigida contra a religião, os bens, as pessoas e a dignidade. É por isso que a jihah é um dever'', afirmou. A convocação busca conseguir o apoio maior dos países árabes, transformando o conflito em uma verdadeira guerra religiosa entre os muçulmanos e os cristãos.
Em outro tópico da declaração, Saddam Hussein prometeu novamente a vitória aos iraquianos. ''Ataquem, lutem contra eles. São agressores maus, vocês serão os vencedores e eles os vencidos'', disse o ministro, lendo o discurso do chefe de estado dirigido à nação iraquiana.
Família fica A presidência iraquiana desmentiu ontem que membros da família de Saddam Hussein estejam tratando de sair do Iraque, em resposta a informações nesse sentido espalhadas pelo Pentágono.
''A família do chefe Saddam Hussein faz parte da grande família que é o povo iraquiano e, assim como Saddam Hussein, ligou sua sorte à de seu povo. A sorte de sua família não pode ser dissociada da sorte da grande família'', afirmou um porta-voz da Presidência, citado pela televisão oficial.
A porta-voz do Pentágono, Victoria Clarke, em prosseguimento à ''guerra de propaganda'', havia afirmado na véspera que os membros da família de Saddam Hussein estavam abandonando ou tentando abandonar o Iraque.
Análise correta Quando o presidente iraquiano Saddam Hussein examinava o planejamento bélico com seus oficiais, seus prognósticos sobre o conflito, conforme difundidos pela televisão, podiam ser minimizados, mas, depois de 13 dias de guerra, a evolução dos acontecimentos parece lhe dar razão, pelo menos até agora. Saddam Hussein afirmava nas reuniões quase cotidianas com seus oficiais que tinha intenções de deixar que as forças norte-americanas e britânicas avançassem no deserto para atraí-las para uma guerrilha urbana, principalmente em Bagdá.
''O inimigo não desembarcará nos subúrbios de Bagdá, já que morrerá. Mesmo que envie um milhão de soldados, nossos homens os vencerão'', disse Saddam. ''Quem quer ocupar uma terra deve mobilizar sua infantaria. Sem a mobilização de forças terrestres, o inimigo poderá destruir e danificar, mas não poderá ocupar a terra'', declarou Saddam durante uma de suas reuniões.
''Digo isto na televisão sabendo que os norte-americanos nos ouvem. Nós os advertimos de que não tenham ilusões de que o Iraque será uma presa fácil. Poderão nos causar danos, mas vão compreender a dimensão dos danos que sofrerão'', ameaçou.
Embora o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirme que a cada dia que passa as forças da coalizão se aproximam de Bagdá, suas tropas parecem presas no deserto, sem ter tomado nenhuma grande cidade iraquiana.

mockup