Saddam com 100% de votos no referendo
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quarta-feira, 16 de outubro de 2002
Agência EFE 
BagdáO presidente iraquiano, Saddam Hussein, conseguiu o apoio de cem por cento da população no referendo realizado terça-feira, informou ontem o vice-presidente do Conselho do Comando da Revolução do Iraque, Ezat Ibrahim. Saddam, candidato único na consulta popular e que está no poder desde 1979, se confirma assim por mais sete anos no poder. Dos quase 25 milhões de habitantes do Iraque, 11.445.638 estavam convocados terça-feira a emitir seu voto: ''Os 11.445.638 participaram e todos votaram a favor da ratificação da presidência do líder, Saddam Hussein'', afirmou Ibrahim.
Este é o segundo referendo convocado por Saddam Hussein desde que está na Presidência e, no primeiro, em 1995, o líder iraquiano obteve 99,6 por cento de apoio.
A enorme participação dos iraquianos no referendo de terça-feira é vista como um claro desafio às ameaças dos EUA e do Reino Unido de atacar o Iraque para derrocar o regime de Bagdá.
Com a exceção de algumas aglomerações em algumas mesas, não houve informação de outros incidentes ou irregularidades na votação, que aconteceu em ambiente festivo.
Cada centro de votações contou com mais ou menos vinte funcionários dos ministérios do Interior e da Justiça e alguns com supervisores do Partido Árabe Socialista, liderado por Saddam Hussein e que governa o país.
Bush faz novo alerta
O presidente dos EUA, George W. Bush, deu ontem um novo aviso a Saddam Hussein, à ONU e a seus aliados reticentes, ao assinar a resolução do Congresso que o autoriza a usar a força contra o Iraque se os meios diplomáticos para seu desarmamento fracassarem. A resolução ''autoriza a ação militar para defender nossa nação e a causa da paz'', disse Bush ao assinar o texto.
Bush lançou uma mensagem clara à ONU, onde vários membros permanentes do Conselho de Segurança não compartilham o ponto de vista de Washington. ''Chegou novamente a hora em que as Nações Unidas devem cumprir o propósito de sua fundação, proteger nossa segurança comum'', afirmou. Bush também se referiu aos países, incluindo muitos aliados dos EUA, que não entendem os argumentos de Washington, e disse que ''os que vivem na negação poderão ter que viver com medo''.
''Se o Iraque conseguir ainda mais poder de destruição, os países do Oriente Médio enfrentarão chantagem, intimidação ou um ataque. O caos na região será sentido na Europa'', afirmou.
Posição de Annan
O secretário-geral das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, afirmou ontem que se o Iraque não aproveitar sua última oportunidade para cumprir as condições de inspeção de armas, ''o Conselho de Segurança terá que cumprir suas responsabilidades''.
A mensagem de Annan foi transmitida pela vice-secretária-geral da ONU, Louise Frechette, no começo do debate público iniciado ontem no Conselho de Segurança para analisar a crise do Iraque. Frechette disse que Annan adoraria estar presente ao debate, mas não pôde fazê-lo devido a outras obrigações.


