Bagdá O presidente do Iraque, Saddam Hussein, declarou ontem em Bagdá que não procura a guerra, mas que está disposto a lutar, se Washington atacar. Durante recepção a uma delegação de parlamentares, jornalistas e escritores russos, ele afirmou que ''nosso povo respeita a liberdade, a soberania e a dignidade dos outros povos, entre eles os Estados Unidos, desde que também sejam respeitadas a liberdade, a soberania e a dignidade do Iraque e dos árabes''.
Segundo Saddam Hussein, citado pelos meios de comunicação locais, ''se os Estados Unidos agirem inspirados pelo diabo, serão testemunhas da determinação do povo iraquiano e sofrerão uma vergonhosa derrota''. ''O povo iraquiano quer evitar a guerra, mas não a qualquer preço, não abandonaremos nossa independência, nossa dignidade e nosso direito de viver e agir livremente'', disse Saddam à delegação russa, chefiada pelo líder do Partido Comunista russo, Guennadi Ziuganov.
Ziuganov chegou segunda-feira ao Iraque para transmitir a solidaridade do povo russo ao povo iraquiano, ante o que denominou ''os planos agressivos dos Estados Unidos''.
Preparativos O Iraque se prepara para a guerra como se o conflito armado fosse acontecer amanhã e dispõe de suficientes reservas de alimentos para enfrentar qualquer emergência, anunciou ontem o ministro iraquiano do Comércio, Mohammad Mehdi Saleh. ''Atuamos como se a guerra fosse começar amanhã'', afirmou o ministro ministro, falando à imprensa.
''Confiamos em nossa capacidade de responder às necessidades do povo iraquiano'', enfatizou.
Sem resolução O Iraque está convencido de que uma resolução justificando um ataque ao seu território será rejeitada pelo Conselho de Segurança da ONU, conforme afirmou o ministro iraquiano de Comércio, Mohammad Mehdi Saleh. ''O objetivo da administração norte-americana é levar o Conselho a adotar uma resolução que autorize a guerra, mas esta não contará com o apoio necessário por causa das manifestações em todo o mundo'', assegurou Saleh.
O Iraque solicitou ao Conselho de Segurança, na terça-feira, durante uma sessão pública, que levasse em conta as milhões de pessoas que no fim de semana passado se manifestaram contra a guerra, enquanto os Estados Unidos anunciavam a preparação de uma segunda resolução ''muito firme'' contra Bagdá.
Advertência saudita A Arábia Saudita destacou ontem na ONU as consequências ''inimagináveis'' de uma guerra no Iraque, durante uma sessão pública que deu aos países que não integram o Conselho de Segurança o direito de opinar sobre a crise com Bagdá. ''Estamos no limite do desastre surpreendente, apesar dos esforços dos países pacíficos (...) para proteger o povo irmão do Iraque do castigo da guerra e a região de suas consequências inimagináveis'', afirmou o representante permanente do Reino Saudita na ONU, Fawzi Shobokshi.

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