São Paulo - O ex-ditador iraquiano, Saddam Hussein, admitiu ontem, na corte em que está sendo julgado, em Bagdá, que deu as ordens que levaram à execução de 148 árabes xiitas em julho de 1982, na cidade de Dujail. Mas ele tentou justificar a medida, afirmando que se tratava de um direito seu porque era presidente do Iraque.
''Onde está o crime'', indagou Saddam em tom desafiador. Ele reconheceu ter dado as ordens no segundo dia em que esteve presente à corte nesta semana. O ex-ditador, que é julgado por crimes contra a humanidade ao lado de ex-altos funcionários de seu regime, também admitiu ter ordenado que terras aráveis fossem destruídas pelas forças de segurança na região de Dujail.
Durante as várias horas que durou a sessão da corte, promotores leram documentos, mostraram imagens feitas por satélites e divulgaram gravações, numa tentativa de ligar Saddam à morte dos 148 árabes xiitas. Eles foram executados depois do ex-ditador ter sofrido uma frustrada tentativa de assassinato.
Um diplomata americano ligado aos trabalhos da corte iraquiana disse que as afirmações de Saddam constituíram uma clara evidência de que os juízes poderão decidir que ele é culpado pelos crimes de que é acusado.
''Eu os (as vítimas) encaminhei para a Corte Revolucionária, conforme determinava a lei vigente na época. Awad implementou a lei, ele tinha o direito de condenar ou de inocentar os acusados'', afirmou Saddam, referindo-se a Awad al Bandar, ex-chefe da Corte Revolucionária, que também está sendo julgado em Bagdá.

mockup