Nova York O presidente do Iraque, Saddam Hussein, ordenou a execução de todos os cientistas iraquianos e de seus familiares que cooperarem com os inspetores da ONU, afirmou ontem o número dois do Pentágono, Paul Wolfowitz, durante um pronunciamento em Nova York.
''Sabemos, graças a múltiplas fontes, que Saddam ordenou que todo cientista que cooperar em suas entrevistas (com os inspetores em desarmamento das Nações Unidas), seja assassinado, o mesmo acontecendo com sua família'', declarou em Nova York Wolfowitz em discurso ante o privado Conselho para Assuntos Estrangeiros.
Wolfowitz acrescentou que os cientistas iraquianos receberam instruções sobre as respostas que devem dar à ONU e que alguns agentes dos serviços secretos iraquianos se fizeram passar por cientistas ante os inspetores.
Fuga ao interrogatório Seis cientistas iraquianos se negaram a ser interrogados em particular pelos inspetores de desarmamento da ONU, informou ontem em Bagdá um alto dirigente iraquiano. ''Recebemos seis pedidos para entrevistas privadas no Hotel Burkh Al-Hayat. Fizemos o possível para estimular os cientistas relacionados, mas recusaram as entrevistas sem a presença de representantes do Órgão de Controle Nacional (NMD)'', disse o chefe do NMD, general Hossam Mohammad Amin, durante uma coletiva.
O Hotel Burkh Al-Hayat é um dos quatro estabelecimentos nos quais se instalaram os inspetores da ONU em Bagdá.
Ameaça O presidente do Iraque, Saddam Hussein, afirmou ontem que o povo iraquiano ''não teme'' as provocações de Washington. ''Nossos inimigos (Estados Unidos) sabem que não tememos as pressões e as ameaças'', disse o presidente iraquiano durante uma reunião de gabinete, segundo a agência oficial Ina.
''Jamais abandonaremos nossos princípios (...) Esta é a atitude dos iraquianos em relação à mobilização (militar norte-americana) e às ameaças (...)'', acrescentou Saddam Hussein.
''O que afeta as nações, os povos e os movimentos políticos é a ausência ou a fragilidade de regras, o que os impede de remediar os aspectos negativos'', afirmou Hussein, acrescentando que ''o que caracteriza o progresso de nosso partido (Baath, no poder no Iraque) são suas idéias profundas, sua visão global e sua capacidade de preparar seus combatentes''.
O partido Baath chegou ao poder no Iraque em 1968 sob a direção de Saddam Hussein.
EUA e a ONU A Casa Branca admitiu ontem, pela primeira vez, que existe a ''possibilidade'' de uma segunda resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre o Iraque. ''É prematuro fazer qualquer julgamento por enquanto. É uma possibilidade'', disse o porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer ao ser indagado sobre o assunto durante um encontro com jornalistas.
''O presidente disse claramente que considera importante trabalhar em contacto estreito com nossos aliados para que o Iraque receba sinais inequívocos de uma posição conjunta'', acrescentou.

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