France PresseLeah Rabin entre líderes trabalhistas. À direita, Shimon PeresIsrael marcou ontem o segundo aniversário do assassinato de Yitzhak Rabin, enquanto persiste a divisão em um país ainda imerso em uma sombria atmosfera de recriminações e desconfiança. Israelenses, em longas filas, prestaram homenagem ao falecido primeiro-ministro, acendendo velas em frente ao seu túmulo em Jerusalém.
Um céu nublado recebia os que visitavam a praça de Tel Aviv onde um fanático religioso judeu o matou a tiros, pouco depois de o ganhador do Prêmio Nobel da Paz ter participado de uma manifestação pela paz no Oriente Médio.
A viúva de Rabin, Leah, depositou uma coroa de flores sobre a lápide no cemitério do Monte Herzl, durante uma cerimônia para familiares, aliados políticos e amigos do general. ‘‘A nação está dividida, temos de dizer a verdade’’, disse Shimon Peres, que sucedeu a Rabin como primeiro-ministro mas que, em 1996, foi derrotada em uma eleição nacional pelo atual chefe de governo, o direitista Benjamin Netanyahu.
As cerimônias oficiais por Rabin serão celebradas amanhã, para que coincidam com a data do calendário hebreu em que aconteceu o atentado. Netanyahu, a quem Leah tem acusado de alimentar uma atmosfera de ódio que culminou com o assassinato, publicou um artigo em dois jornais no qual rechaçou a acusação. ‘‘Duvido que ele...concordasse com a noção de que seu assassinato foi causado pela incitação e a retórica de campanha’’, disse Netanyahu.
Leah Rabin não aceitou seus comentários, em especial apenas duas semanas depois que Netanyahu, em um cometário a um rabino captado por um microfone de uma rádio, enfureceu a muitos israelenses ao dizer que a esquerda se esqueçeu do que significa ser um judeu.
Em Gaza, o presidente palestino, Yasser Arafat, lamentou a morte de Rabin e as políticas de Netanyahu. ‘‘Ele era um homem da paz, não só para os palestinos mas também para os israelenses, árabes e a comunidade internacional’’, disse Arafat, que compartilhou com Rabin e Peres o Prêmio Nobel da Paz.

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