Russos voltam a atacar capital da Chechênia
Associated Press
As Forças russas reiniciaram ontem, no fim da noite, os ataques de artilharia esporádicos mas consistentes contra o Sul de Grozny, segundo a agência de notícias Itar-Tass.
Estes ataques sinalizam claramente o final da pausa nos bombardeios, planejada para que os moradores da capital chechena deixassem a cidade.
Um repórter da Itar-Tass em Goiti, a cerca de 15 quilômetros ao sul da capital, disse que verificou a queda de mísseis russos nesta parte da cidade.
Os ataques russos tinham sido suspensos até a meia-noite local para que os civis fugissem de Grozny, atualmente toda cercada por tropas russas.
O Ministro das Situações Emergenciais russo, Sergey Shoigu, tinha prometido que se realizarão novas pausas diárias nos ataques para dar a chance de as pessoas saírem através de corredores de evacuação. A avaliação russa é a de que 40 mil pessoas ainda permanecem em Grozny.
Ninguém passou pelo corredor especial criado pelos russos no sul da capital, perto de Alkhan-Yurt, segundo o correspondente da Itar-Tass.
Sabemos que os militares estão impedindo os civis de abandonar a cidade, disse o representante do governo russo na Chechênia, o vice-primeiro-ministro Nikolai Koshman, segundo a agência de notícias Itar-Tass. Por sua parte, as autoridades russas voltaram a acusar os rebeldes de usar os civis como escudos humanos.
O coronel Guenadi Alyojin, porta-voz militar russo, afirmou ontem que os rebeldes construíram fortificações em pontos estratégicos nas redondezas de Grozny, plantaram minas nas ruas da cidade e instalaram metralhadoras nos telhados dos edifícios, dispostos a responder a um possível ataque das tropas russas.
Alyojin, por outro lado, afirmou que alguns grupos de rebeldes fugiram de Grozny rumo às montanhas do sul da Chechênia onde o exército russo ainda não chegou.
Embora tenha postergado um ataque decisivo a Grozny, o Kremlin informou não ter intenção alguma de atender aos pedidos internacionais para moderar a sua campanha contra os militantes chechenos na província separatista, e criticou fortemente uma intromissão no que a Rússia considera um assunto interno.
Devemos conter com mão firme a delinquência na Chechênia, disse ontem o presidente Boris Yeltsin, segundo a Ita-Tass. Bandidos e terroristas controlavam um povo aterrorizado. Sob o disfarce da independência nacional e religiosa, trataram de instalar a selvageria.





