São Paulo - Tropas pró-Rússia tomaram ontem o controle de um terminal de balsas que liga a Ucrânia com a Rússia em Kerch no leste da Crimeia, intensificando os temores de que Moscou vai enviar ainda mais tropas para a região estratégica do Mar Negro.
O primeiro-ministro da Ucrânia, Arseni Yatseniuk, pediu ao Ocidente apoio político e econômico e disse que a Crimeia vai continuar a ser parte do país, mas admitiu que há possibilidade de ações militares.
Os soldados, que falavam russo, passaram a operar o terminal que serve como ponto de partida para Rússia. Um funcionário do governo americano que preferiu não se identificar disse à agência Associated Press que os EUA acreditam que a Rússia já tenha controle sobre a Crimeia, com mais de 6 mil soldados na região e que agora os temores são de que o governo do presidente Vladimir Putin resolva expandir seu controle para outras regiões da Ucrânia.
O Ministério da Defesa ucraniano disse que as forças de defesa interceptaram duas aeronaves russas que invadiram o espaço aéreo da Ucrânia na região do Mar Negro durante a noite.
O ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, acusou ontem no Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) o novo governo da Ucrânia de atacar as minorias que falam russo. "Os extremistas seguem controlando as cidades. Em vez de cumprirem o que prometeram, criou-se um governo dos vencedores, tomaram uma decisão no parlamento para reduzir os direitos das minorias linguísticas. Eles querem castigar a língua russa, os vencedores têm a intenção de utilizar os frutos de suas vitórias para atacar os direitos humanos", disse Lavrov ao defender a instauração de unidades de autodefesa para proteger as minorias russas.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, respondeu que irá pedir a Lavrov para evitar discursos que possam aumentar a escalada de violência na Ucrânia.

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