Russos rejeitam planos de cessar-fogo
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segunda-feira, 11 de agosto de 2008
Folhapress 
São Paulo- Apesar de intensa movimentação diplomática, o cessar-fogo no Cáucaso continua improvável, porque as propostas em elaboração ou já elaboradas -União Européia, G7 (grupo de países mais industrializados), ONU e Otan (aliança militar ocidental)- esbarram na negativa da Rússia.
O fim do conflito, desencadeado entre russos e georgianos na sexta-feira pelo controle da região separatista da Ossétia do Sul, depende das verdadeiras intenções de Moscou, que ainda não estão claras.
Autoridades e porta-vozes russos afirmam que não aceitarão a interrupção dos combates porque a Geórgia, aliada dos americanos, continua a bombardear posições ossetianas, o que o governo georgiano nega.
Há indícios de que o Kremlin quer levar sua contra-ofensiva militar às últimas consequências, com o enfraquecimento do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili. A acusação de que os russos queriam depor Saakashvili foi feita ontem pelo embaixador americano no Conselho de Segurança e rejeitada como ''invencionice'' pelo embaixador russo.
Na prática, Moscou rejeitou ontem duas propostas de cessar-fogo, a encaminhada pelos europeus e a feita pelo G7. A proposta da UE foi apresentada pelo chanceler francês, Bernard Kouchner, já que seu país exerce a presidência rotativa do bloco. Ele chegou ontem a Tbilisi, capital da Geórgia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, deverá viajar hoje a Moscou.
Além do cessar-fogo, a UE propunha a ''integridade'' do território da Geórgia e o retorno dos contingentes às posições que ocupavam na quinta-feira. A ''integridade'' é um termo ambíguo. A Geórgia teoricamente possui a Ossétia do Sul e a Abkházia, que foram em 1992 objeto de acordos de autonomia, em razão das ligações culturais e econômicas de suas populações com a Rússia. Sob os acordos, a Rússia mantinha forças de paz nas duas regiões, na prática transformando-as em ''protetorados'' seus.
Os chefes das diplomacias européias devem se reunir hoje, prosseguindo consultas sobre um plano alternativo, aceitável pela Rússia. O ''Financial Times'', diz que a Itália e a Alemanha não querem um confronto com o Kremlin.
A proposta do G7 é parecida e está centrada no cessar-fogo. Ela foi articulada pela secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, que pela manhã telefonou ao primeiro escalão dos governos do grupo (Alemanha, França, Itália, Reino Unido, Japão e Canadá). Rice deixou claro que apoiava a iniciativa da UE, lançada pelo francês Kouchner e pelo chanceler da Finlândia, Alexander Stubb.
A Otan fará amanhã em Bruxelas uma reunião de emergência solicitada pela Rússia, que não é membro da aliança militar, mas possui o estatuto de associada, apta a opinar durante crises. Antes do encontro, embaixadores e o secretário-geral da aliança, o holandês Jaap de Hoop Scheffer, reúnem-se com a chefe da diplomacia da Geórgia, Eka Tkeshelashvili.


