Yuri Bagrov
da Associated Press
de Dolinsky, Rússia
Aviões russos lançaram panfletos ontem sobre a cercada capital da Chechênia advertindo os moradores e rebeldes para abandonarem Grozny antes que forças federais lancem ataques maciços a fim de submetê-la. Os russos ameaçam lançar seus mais pesados bombardeios contra a cidade. Forças russas jogaram os panfletos sobre Grozny ontem, avisando os combatentes rebeldes e a população de que têm até sábado para fugir. Os panfletos anunciavam que um corredor ficará aberto até 11 de dezembro para permitir que os civis escapem.
‘‘As pessoas que permanecerem na cidade serão consideradas terroristas e bandidos e serão destruídas pela artilharia e aviação. Não haverá novas negociações. Todos que não deixarem a cidade serão destruídos’’, afirma-se no panfleto.
Não ficou claro quem poderia ou iria partir. A maioria dos civis em Grozny – estimados pelos russos entre 15 mil e 40 mil – é de velhos ou enfermos. Os militantes seriam 5 mil.
‘‘Nós tivemos de partir quando eles fizeram tal tipo de ultimato na última guerra. Na última vez eles também disseram que aqueles que ficassem na cidade eram militantes. No final viu-se que muitos deles eram idosos que não tinham para onde ir, e exatamente a mesma coisa acontecerá agora’’, afirmou Zina Ferzauli, um refugiado de Grozny abrigado na vila de Dolinsky, 15 km a noroeste. Forças russas entraram com facilidade no norte plano da Chechênia quando a campanha militar teve início em setembro, e agora controlam mais de metade da república.
Forças federais garantem ter agora bloqueado os caminhos para Grozny, mas ainda assim combatentes chechenos podem ser vistos entrando e saindo livremente durante a noite. Um repórter da Associated Press não teve dificuldade em passar através das esparsas posições russas ao redor de Grozny.
Rotas de passagem são exploradas por patrulhas chechenas e então se tornam de conhecimento comum entre moradores locais. Tropas russas raramente mudam de posição ou se aventuram para fora dos postos de checagem, fazendo com que seu domínio seja largamente simbólico.
Também, ao contrário de garantias dadas por militares da Rússia, muitas pessoas em regiões da Chechênia retomadas por forças federais são ostensivamente contra os russos.
‘‘Crianças, o que vocês têm de fazer?’’, perguntou Supyan Mukhtarov, um guia civil de 44 anos de um repórter da AP na Chechênia, a suas três filhas e dois filhos – o mais velho deles de 10 anos – depois de retornar ontem à sua casa em Dolinsky.
‘‘Matar os russos!’’ – gritaram as crianças em uníssono.
O presidente checheno, Aslan Maskhadov, ainda estava em Grozny ontem, disseram comandantes militares russos, segundo a agência de notícias Interfax.

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