Mesmo que a causa exata do naufrágio – colisão com outra nave, com uma mina ou explosão a bordo – continue sem ser precisa, o ministro russo da defesa, Igor Sergueiev, estimou que uma colisão com ‘‘um objeto submarino’’ do tamanho do submarino russo ‘‘Kursk’’ provocou o desastre.
Os russos localizaram esse ‘‘objeto’’ no dia 13 de agosto, um dia depois do acidente, mas não puderam ‘‘identificá-lo’’, disse o marechal, esclarecendo que a Rússia pediu à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) que informasse sobre a eventual presença de submarinos da Aliança na área.
Os russos falaram repetidas vezes, desde a catástrofe, sobre a hipótese de uma colisão do ‘‘Kursk’’ com um submarino estrangeiro, provavelmente britânico, que teria provocado o naufrágio da nave russa. Londres desmentiu isso.
A Rússia pediu ajuda a Noruega para recuperar os corpos da tripulação de dentro do submarino. Uma sociedade internacional de serviços parapetrolíferos e o governo norueguês estudavam as modalidades práticas e financeiras de uma operação semelhante.
Os mergulhadores descobriram esta segunda-feira o corpo de um tripulante do ‘‘Kursk’’ no nono compartimento do submarino nuclear russo, perto da escotilha de saída.
Os socorristas que tentaram tirá-lo interromperam suas operações ao anoitecer, anunciou o porta-voz da Frota do Norte. ‘‘Não estamos 100% certos de que se trata de um corpo’’, afirmou.
Os mergulhadores noruegueses tinham conseguido ontem mesmo abrir a escotilha de saída do submarino, e introduziram uma câmera na nave.
A abertura da escotilha em menos de 40 horas, o que os russos não conseguiram em uma semana, é uma humilhação para a frota russa e prova que Vladimir Putin deveria ter aceitado imediatamente a ajuda estrangeira. Os quatro mergulhadores noruegueses reafirmaram sua fama de ser os melhores do mundo na especialidade.
Têm experiência militar, mas trabalham na contrução de plataformas petrolíferas do Mar do Norte. Todos participaram de treinamentos para a recuperação de minas submarinas e podem mergulhar a profundidades de 200 ou 300 metros.
Com trajes especiais, os mergulhadores são submersos em um sino, ao qual permanecem ligados por meio de cabos de comunicação e tubos de alimentação de oxigênio.
Dois grupos parlamentares russos exigiram ontem a criação de uma comissão parlamentar de investigação independente sobre as causas do acidente, e sobre a gestão das tarefas de socorro por parte de Moscou, que recordou os métodos soviéticos.
Por sua vez, o secretário-geral da ONU, Kofi Annan, expressou seu pesar pela morte dos tripulantes. Também o presidente francês Jacques Chirac e o primeiro-ministro italiano, Giuliano Amato, enviaram suas condolências ao presidente russo.

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