As forças russas impuseram ontem um toque de recolher na Chechênia e anunciaram que seus soldados abrirão fogo sem aviso contra qualquer veículo que violar a ordem. A decisão foi tomada depois de uma série de ataques contra as forças federais na república separatista.
Os militares saíram em busca de rebeldes nas cidade chechenas controladas por Moscou e até agora detiveram 46 pessoas suspeitas de participação nos cinco ataques a bomba ocorridos entre domingo e segunda-feira.
Ontem, o líder do Serviço de Segurança Federal, Nikolai Patrushev, responsabilizou o comando militar pela ocorrência dos ataques. Segundo ele, os militares russos tinham informações prévias de inteligência sobre a possibilidade de atentados rebeldes. ‘‘Os ataques aconteceram por culpa dos militares que estão no comando (na Chechênia)’’, afirmou Patrushev.
Segundo o coronel-general Valery Manilov, primeiro-vice-chefe de pessoal do Exército, 33 soldados foram mortos nos ataques, 84 ficaram feridos e seis estão desaparecidos. Outras fontes, entretanto, afirmam que o número de mortos pode chegar a 50.
Nos atentados, caminhões carregados com explosivos foram levados para prédios russos em Argun, Urus-Martan, Novogroznensky e Gudermes, onde está sediado o governo pró-Moscou. Os soldados russos abriram fogo contra os caminhões, detonando os explosivos em todos eles, exceto em um.
De acordo com testemunhas, 11 civis e seis rebeldes também foram mortos nos incidentes. Ontem, as forças russas isolaram Grozny e as cidades onde aconteceram os ataques e enviaram reforços, diante dos rumores sobre mais explosões.
Em Moscou, o Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas alertou para a situação humanitária de cerca de 350 mil pessoas desabrigadas na Chechênia. ‘‘Apesar de uma diminuição do conflito, centenas de milhares de pessoas não podem regressar a suas casas e voltar a viver como antes da guerra’’, declarou Bhim Udas, coordenador do PAM para o Cáucaso.

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