Russos esperam tomar Grozny sem luta
Associated Press
e France Presse
De Moscou
O alto comando militar russo anunciou ontem que espera cercar completamente a capital da república separatista da Chechênia, Grozny, até meados de dezembro e depois tomar a cidade sem luta.
O chefe do Estado-Maior, Anatoli Kvashin, exortou ontem a população local a expulsar os rebeldes e ameaçou, de maneira indireta, desencadear uma campanha de bombardeios ainda mais intensa do que a atual, caso eles continuem entrincheirados em Grozny.
Kvashin disse que pretende adotar a mesma estratégia bem-sucedida na captura das cidades de Gudermes, a segunda maior do território, em Achkhoi-Martan, e em aldeias menores: negociar com os líderes mais velhos para que persuadam os grupos rebeldes a abandonar a área, abrindo caminho à entrada das forças federais. Estão sob controle federal as saídas da capital para o norte, oeste e parte do leste do território.
Segundo agências russas, os comandantes russos têm ameaçado bombardear duramente as cidades e aldeias caso os guerrilheiros integristas islâmicos não deixem a área. O próprio povo vai resolver as coisas com os bandidos, dentro da cidade (Grzony) e nós iremos ajudá-lo, disse Kvashin à emissora de televisão russa NTV.
Cerca de metade do território checheno, incluindo mais de 60 localidades, está sob controle de Moscou, de acordo com o Ministério do Interior. Mais de 220 mil chechenos deixaram a república por causa dos bombardeios a grande maioria refugiou-se na vizinha república russa da Ingushétia e está abrigada em acampamentos rpecários.
As tropas russas planejam conquistar esta semana o município de Urus-Martan, a 24 quilômetros de Grozny, um forte reduto da guerrilha. Altos oficiais russos têm dito que em Urus-Martan provavelmente vão enfrentar a mais dura resistência dos rebeldes e tropas do governo checheno desde que as forças federais entraram no território checheno, no início de outubro.
Em Moscou, o primeiro-ministro russo descartou a possibilidade de o governo iniciar negociações com líderes chechenos e voltou a dizer que o país está disposto a ir até o fim na luta contra os terroristas como o Kremlin denomina a campanha militar na Chechênia , apesar da pressão internacional para uma solução política na região.
O governo russo não cumpriu ainda o compromisso acertado na cúpula européia em Istambul, na semana passada, de permitir a entrada na Chechênia de uma missão da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), que irá buscar subsídios para a busca de um diálogo entre as partes em conflito.
A incursão no território checheno foi iniciada depois que rebeldes islâmicos tomaram várias aldeias da república russa do Daguestão, de onde foram expulsos em agosto e setembro pelas forças federais. Nesses mesmos meses, uma onda de atentados atribuídos por Moscou aos guerrilheiros, matou cerca de 300 pessoas ma Rússia. Por essa razão, a até agora bem-sucedida ação militar na Chechênia conta com elevado apoio entre os russos e aumentou a popularidade de Putin, que hoje aparece como líder nas pesquisas para a presidência, a ser disputada em junho de 2000.
Um oficial rebelde checheno afirmou ontem que os separatistas massacraram mais de 200 soldados russos numa emboscada na última quinta-feira, apoiando suas inforrmações com um vídeo que mostra cerca de 40 corpos.
Rustam, 32 anos, comandante da unidade sob as ordens do chefe de guerra Chirvani Bassaiev, irmão do líder islamita Shamil Bassaiev, contou à AFP que suas tropas surpreenderam na montanha próxima da fronteira com o Daguestão (leste da Chechênia), na região de Makajoi, um comando avançado russo que tinha cruzado a fronteira na passagem de Kharatchoi.
O governo do Casaquistão informou ontem ter detido 22 russos a maioria cidadãos casaques que planejavam desencadear um levante para criar uma república para a minoria russa, que constitui cerca de 30% da população do Casaquistão.Alto comando russo exorta a população a expulsar os rebeldes islâmicos da capital, estratégia que deu certo em Gudermes
France PresseUma mulher chechena, refugiada na Ingushétia recebe cobertor da agência católica Caritas. O severo inverno no Cáucaso preocupa as agências humanitárias que organizam ajuda aos cerca de 200 mil refugiados pela guerra na Chechênia





