São Paulo- A Rússia movimentou ontem suas unidades militares em áreas estratégicas da Geórgia, dois dias após assinar um cessar-fogo que pôs fim ao conflito na ex-república soviética entre Moscou e Tbilisi pelas regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia.
Numa demonstração de que permanece no controle e não pretende recuar na defesa de seus interesses no Cáucaso, o Kremlin cercou três cidades georgianas e ordenou busca por equipamentos abandonados pelo Exército georgiano durante a retirada.
A movimentação faz parte da estratégia russa de neutralizar a capacidade militar da Geórgia contra as regiões rebeldes e, dados os termos vagos do cessar-fogo, não fere o acordo. Além de ocupar as áreas, que correspondem a um terço do país, Moscou controla as vias de transporte na Geórgia.
A Ossétia do Sul e a região de Gori -cidade estratégica, a 30 km da região separatista conflagrada- estão isoladas, segundo o secretário-geral da Onu, Ban Ki-moon. ''Apesar do acordo, a violência continua, com civis sofrendo as consequências (do conflito)'', disse Ban, que criticou a ''insegurança, o desrespeitos às leis e outros restrições'' nos territórios.
O coordenador da ONU na Geórgia, Robert Watkins, pediu que Tbisili e Moscou abram um corredor de segurança para a entrega de auxílio humanitário. Pelo menos 85 mil pessoas foram forçadas a deixar suas casas desde o início do conflito e buscaram refúgio na Rússia ou em outras partes do país.
Oficiais russos e georgianos se encontraram ontem em Gori para negociar a devolução da cidade, ''zona-tampão'' que teve suas bases militares implodidas pelos russos. Saqueadores e milícias intimidam os moradores da cidade, esvaziada pela fuga da população, sobretudo dos jovens.
A Rússia autorizou a entrada de policiais georgianos no início da manhã.

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