Russos anunciam 'táticas mais duras'
Associated Press
De Sleptsovskaya, Rússia
O alto comando russo na Chechênia atribuiu ontem suas pesadas baixas no fim de semana a erros cometidos durante a conquista de várias localidades em dezembro e anunciou que táticas mais duras serão empregadas a partir de agora.
O general Viktor Kazantsev, comandante das tropas russas no Norte do Cáucaso, antecipou duas delas, após afirmar que as forças federais deveriam ter sido mais cuidadosas na revista das casas dos povoados de Shali e Argun, no mês passado. De agora em diante, disse ele, todos os homens entre 10 e 60 anos nas áreas tomadas pela Rússia serão detidos e enviados aos chamados campos de triagem, para cuidadosa averiguação. Além disso, um toque de recolher não especificado foi imposto nas partes do território sob controle russo.
Quando alguns jornalistas lhe pediram para dar detalhes sobre os erros cometidos, Kasantsev afirmou que o principal foi a atitude bondosa e a frequente credulidade dos russos nas inspeções de áreas tomadas dos rebeldes. E acrescentou que não haverá mais misericórdia.
A artilharia e a aviação russas bombardearam intensamente ontem Shali, Argun e Gudermes, retomadas em parte pelas forças chechenas no domingo. Kasantzev anunciou a reconquista das três cidades, mas essa informação não foi confirmada por fontes independentes. Só Gudermes estaria em mãos russas. De acordo com a agência local Interfax, os militares bombardeiam Shali com cautela porque unidades especiais russas estão ali sitiadas pelos guerrilheiros.
A Rússia tomou ontem o povoado de Vedeno, na região montanhosa do sul, e continuou despejando toneladas de bombas na capital, Grozny, cuja área central está sob firme controle dos separatistas.
O poderoso contra-ataque dos rebeldes pegou as forças federais de surpresa num momento em que os altos comandantes se mostravam inebriados com as sucessivas vitórias na planície central chechena, na qual tomaram vários povoados em dezembro. Os militares russos confirmaram a morte de 26 soldados num só dia domingo. Foi a mais elevada baixa admitida por Moscou até agora.
Este é apenas o começo de uma série de ações para libertar as áreas ocupadas pela Rússia, disse um dos líderes rebeldes, Mumadi Saidayev. Saidayev voltou a pedir ontem negociações diretas com o Kremlin para pôr fim ao conflito e enfatizou que a contra-ofensiva em Argun, Shali e Gudermes demonstra que a questão chechena não pode ser resolvida pelas armas. Irônico, ele afirmou que os guerrilheiros até agora fizeram uso contido de suas forças para salvar a vida de milhares de soldados e oficiais russos, na esperança de relançar as negociações de paz.
Os reveses sofridos no campo de batalha na Chechênia nos últimos dias estão mudando rapidamente o tom dos comentários da imprensa russa sobre a campanha militar. Vários jornais acusaram o governo de ocultar a real situação na república separatista para não prejudicar a candidatura do presidente interino, Vladimir Putin, às eleições presidenciais de 26 de março. Putin é o mais cotado para vencer o pleito e sua popularidade cresceu sobretudo em razão da ofensiva militar na Chechênia.Uma das medidas anunciadas: homens entre 10 e 60 anos em áreas ocupadas serão enviados a campos de triagem. Comando impõe toque de recolher
France PresseOfensivaA artilharia e a aviação russas bombardearam intensamente várias cidades, além da capital GroznyFrance PresseVladimir Putin (C) chefia reunião de gabinete: governo é acusado de ocultar situação real na Chechênia





