Russos ampliam ocupação na Chechênia
Associated Press
De Grozny
A infantaria e tanques russos avançaram ainda mais ontem em território checheno a fim de impor uma zona de segurança ao redor da república rebelde, enquanto aviões de combate e a artilharia continuavam a bombardear os insurgentes por terra e ar.
Pelo menos quatro regiões do leste da Chechênia foram atingidas por foguetes e duas áreas do centro da Chechênia foram bombardeadas, segundo o vice-primeiro-ministro da república, Kazbek Makhashev.
Forças chechenas derrubaram um avião de combate russo Su-25, matando o piloto, disse o coronel Islam Khasukhanov, subcomandante do Estado Maior da Chechênia, segundo a agência de notícias russa Interfax. Ele afirmou que o avião foi derrubado por um míssil Stinger nas proximidades de Urus-Martan, cerca de 25 km a sudoeste de Grozny, a capital da república separatista.
O Ministério da Defesa russo negou-se a comentar a notícia.
Oficiais chechenos acusaram que tropas russas avançaram para Chervlyonaya, uma vila a 40 km da capital Grozny e se engajaram em duros combates com tropas chechenas, divulgou a Interfax.
Mas o primeiro-ministro Vladimir Putin negou que forças russas lutavam nas proximidades de Grozny, garantindo que a denúncia chechena era falsa.
Forças da Rússia entraram na Chechênia na semana passada e têm avançado na república a fim de estabelecer uma zona de segurança para bloquear ataques de militantes islâmicos contra território russo.
Vamos destruir os militantes com todos os meios à nossa disposição, disse o tenente-general Gennady Troshev, um dos comandantes russos na região.
Num confronto domingo na vila de Dubovskaya, noroeste da república, dois soldados russos morreram e oito ficaram feridos, segundo oficiais russos. Os chechenos também garantiram ter capturado três soldados russos, disseram fontes militares da Chechênia à Interfax.
Com mais tropas da Rússia entrando na república separatista, combatentes chechenos estão fortificando posições numa tentativa de conter os russos, que têm um poder de fogo muito superior.
Tropas russas avançaram na Chechênia depois que militantes muçulmanos invadiram o vizinho Daguestão em agosto e setembro, numa tentativa de criar um Estado islâmico no sul da Rússia. Os militantes também são acusados de uma série de atentados à bomba na Rússia no mês passado, que deixou cerca de 300 mortos.
A Rússia alega que seu objetivo é estabelecer um cordão de isolamento ao longo das fronteiras da Chechênia, apesar de a concentração militar ter levantado temores de que possa haver a repetição da guerra da Chechênia travada de 1994 a 1996, que deixou dezenas de milhares de mortos.
Apesar dos temores, o vice-ministro do Exterior russo, Yevgeny Gurasov, rejeitou ontem a possibilidade de chamar mediadores estrangeiros para pôr fim ao conflito, divulgou a Interfax.
A Rússia não precisa de mediadores em conversações com os membros constituintes da Federação Russa, afirmou Gurasov depois de se encontrar com o presidente da Organização para a Segurança e Cooperação da Europa, o chanceler norueguês Knut Vollebaek.
Os militares russos garantem estar alvejando apenas supostas bases guerrilheiras e instalações de apoio. Mas o presidente checheno, Aslan Maskhadov, disse que mais de 400 civis já foram mortos e mais de mil ficaram feridos nos ataques aéreos. Ele também afirmou que a debilitada economia do território foi ainda mais danificada, com hospitais, fábricas, refinarias e oleodutos tendo sido atingidos.
A Rússia igualmente suspendeu o abastecimento de gás natural para a Chechênia e está cortando o fornecimento elétrico, apesar de autoridades russas garantirem que as ações não estão relacionadas com as lutas, mas sim a grande dívidas por parte da Chechênia.
Enquanto isto, refugiados continuaram a fugir em massa da república separatista. Eles já seriam cerca de 100 mil.
Putin anunciou ontem o estabelecimento de uma comissão governamental para tratar do problema dos refugiados. Ele fez o anúncio depois de se reunir com o presidente Boris Yeltsin no Kremlin, mas não deu mais detalhes.
A maioria dos refugiados fugiu para a empobrecida república russa de Ingushétia, no oeste da Chechênia.Apesar do temor de uma escalada semelhante à guerra de 94-96, que matou dezenas de milhares, Moscou não admite mediação estrangeira
France PresseGuerraMoscou quer cordão de isolamento ao longo da fronteira da Chechênia para conter guerrilha muçulmana que invadiu o Daguestão e tenta formar república islâmica no sul da Rússia





