Os russos ameaçaram ontem ‘‘voltar à guerra fria’’ se a Otan insistir em seu empenho de intervir militarmente contra os sérvios e anunciou que utilizará seu direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, se for necessário. O presidente russo Boris Yeltsin, os ministros de Relações Exteriores e de Defesa, Igor Ivanov e Igor Sergueiev, e o presidente da Duma (câmara baixa do Parlamento), Guennadi Seleznev, advertiram contra uma operação militar da Otan que teria por finalidade forçar o governo de Belgrado a respeitar as resoluções da ONU referentes a Kosovo.
‘‘Moscou utilizará sem dúvida alguma seu direito de veto’’ se a questão de um recurso à força contra os sérvios sobre o tema Kosovo for examinado pelo Conselho de Segurança’’, informou Igor Ivanov.
Os quinze membros do Conselho devem reunir-se para discutir as ações a seguir depois do informe do secretário geral da ONU, Kofi Annan, sobre a situação em Kosovo, província sulista da Iugoslávia habitada em 90% por pessoas de origem albanesa que reivindicam a independência.
Uma intervenção da Otan provocaria um retorno ‘‘à guerra fria’’ e um adiamento da ratificação do acordo de desarmamento Start II sobre armas nucleares, acrescentou o ministro russo de Defesa, Igor Sergueiev, citado pela agência Ria Novosti.
Por sua parte, o presidente da Duma, Guennadi Seleznev, anunciou que a câmara baixa do Parlamento exigiria o rompimento de relações da Rússia com a Aliança Atlântica no caso de ser realizadas operações militares contra os sérvios.
O presidente russo tentou convencer ontem, por telefone, o presidente francês Jacques Chirac de que recorrer à força para normalizar a situação em Kosovo ‘‘não somente não conduziria a um acordo, mas teria graves consequências internacionais’’, segundo a conversação dos dois dignatários.
Durante a conversação com Chirac, Yeltsin assinalou que os esforços realizados pela Rússia com vistas a obter um acordo político sem recurso à força em Kosovo tinham desembocado em ‘‘decisões concretas’’ por parte do presidente iugoslavo Slobodan Milosevic.
Igor Ivanov estimou que ‘‘o processo de normalização começou em Kosovo’’.

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