Associated Press
Os enviados da Rússia e da União Européia (UE) levaram ao presidente iugoslavo Slobodan Milosevic, ontem, um plano para pôr fim à crise em Kosovo e à vinculada campanha de bombardeios da Organização do Atlântico Norte à Iugoslávia. Mas persistem as diferenças entre Moscou e Washington sobre como policiar a paz. As conversações com Milosevic em Belgrado começaram no início da noite em meio a indicações de que a Rússia - o principal aliado da Iugoslávia - estava firmemente ao lado do Ocidente querendo uma aprovação do mais novo plano.
A reunião foi temporariamente suspensa por volta das 20 horas locais, cerca de duas horas depois de seu início, com planos para ser retomada na manhã de hoje. Duas horas depois sirenes soaram em Belgrado, advertindo sobre possíveis ataques da Otan. Apesar de esta ser a quinta viagem de Chernomyrdin a Belgrado como enviado russo tratando da crise, foi a primeira vez que ele é acompanhado de um colega da União Européia ou dos Estados Unidos.
Com a União Européia e os Estados Unidos tendo posições praticamente idênticas, o fato de Chernomyrdin estar acompanhado pelo presidente finlandês, Martti Ahtisaari, significa - desta vez - que a missão é mais do que uma tentativa unilateral de mediação russa. O porta-voz do Ministério do Exterior da Finlândia, Yrjo Lansipuro, afirmou que as conversações irão continuar hoje às 9 da manhã.
Citando o Ministério da Informação sérvio, a agência de notícias Beta divulgou que o Parlamento da Sérvia planeja se reunir hoje para discutir a proposta - a primeira sessão do tipo desde o início dos bombardeios da Otan, em 24 de março. O Partido Socialista, de Milosevic, e seus aliados controlam o parlamento.
Comunicados anteriores de autoridades da Rússia, da UE e dos Estados Unidos indicaram que as três partes apoiando o plano estavam mais próximas do que nunca de uma proposta sobre o que seria necessário para estabelecer a paz em Kosovo e pôr fim a mais de dois meses de bombardeios aliados.
‘‘Acreditamos que as áreas de acordo são suficientemente amplas para justificar uma viagem conjunta’’, disse o porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, James Rubin, sobre a missão a Belgrado de Chernomyrdin e do enviado da UE, Ahtisaari.
O presidente finlandês declarou que as conversações com Chernomyrdin e o subsecretário de Estado norte-americano Strobe Talbott, em Bonn, terminaram com ‘‘uma posição amplamente comum’’ depois de atrasos para se discutir desacordos sobre princípios de paz estabelecidos pelo Grupo dos Oito - os sete países mais industrializados e a Rússia. Ao fim dessas discussões e antes da partida para Belgrado, Chernomyrdin falou sobre ‘‘uma chance real de a guerra terminar’’. O porta-voz James Rubin também disse que a bola agora estava com Belgrado.
Mas permaneceram diferenças de opinião sobre uma força de manutenção da paz para Kosovo, responsável por garantir a volta e a segurança dos refugiados depois de qualquer acordo de paz.
Rubin, falando em Washington, afirmou que era ‘‘uma questão em aberto’’ se a Rússia participaria de um plano de envio de soldados de paz sob o comando da Otan para Kosovo depois de um acordo para proteger a volta dos refugiados. Chernomyrdin aparentemente descartou essa opção. ‘‘Haverá duas presenças em separado em Kosovo, uma presença da Otan e uma presença russa’’, afirmou ele antes de partir para Belgrado, sublinhando que as tropas da Rússia não ficarão sob o comando da Otan.
A Grã-Bretanha, por seu lado, rejeitou tal solução, afirmando que ela efetivamente separaria Kosovo em duas partes, uma sob supervisão da Rússia e a outra, sob a da Otan. Além disso, delegados russos citaram diferenças sobre como coordenar a suspensão dos bombardeios da Otan, a retirada das forças sérvias de Kosovo e a entrada de uma força de paz sob o plano.
A Rússia e a Otan têm profundas diferenças sobre a crise de Kosovo, com Moscou repetidamente exigindo pelo menos uma pausa nos ataques da aliança. A Otan também insiste em comandar os soldados de paz e que suas tropas formem a maior parte de tal força - algo que Belgrado tem rejeitado categoricamente, com o apoio da Rússia.
Mais cedo ontem, o Tribunal Internacional de Justiça de Haia rejeitou uma apelação da Iugoslávia por um imediato cessar-fogo. A Otan, por seu lado, não mostrou sinais de alívio em sua campanha aérea, atacando alvos militares sérvios em Kosovo e Belgrado.
Oficiais da aliança em Bruxelas disseram que aviões da Otan atacaram pesadamente forças sérvias ontem, com maior intensidade no sudoeste de Kosovo nas proximidades da fronteira com a Albânia, onde prosseguem fortes combates entre forças sérvias e do Exército de Libertação de Kosovo (ELK).
Kosovo é uma província sulista da Sérvia, a república dominante da Iugoslávia, onde 90% da população de 2 milhões, anterior à guerra, eram albaneses étnicos. Os bombardeios da Otan teriam o objetivo de parar a repressão de Milosevic contra os albaneses de Kosovo.Enviados de Moscou e da União Européia reúnem-se com Milosevic em Belgrado e há amplas possibilidades de um acordo visando o fim do conflito
France PresseDiplomaciaNegociação em Belgrado trouxe otimismo. À esquerda a delegação chefiada pelo enviado da União Européia, o presidente finlandês Martti Ahtisaari

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