Associated Press
De Moscou
Os militares russos estão testando jatos modernos nos bombardeios na república separatista da Chechênia e vão usar pela primeira vez novas armas de combate em operações terrestres contra os rebeldes islâmicos, numa possível invasão do território checheno pela Rússia. A informação foi transmitida à imprensa ontem pelo encarregado de armamentos do Ministério da Defesa, general Anatoli Sitnov. ‘‘A versão moderna do SU-25 (avião de ataque) já está em operação e tem demonstrado vantagens’’, disse Sitnov.
‘‘Se houver uma invasão terrestre, testaremos o helicóptero artilhado Shark e equipamentos avançados como óculos para visão noturna, fuzis de precisão com alcance aumentado e tanques que asseguram melhor proteção do inimigo.’’ Duas novas versões do Mig poderão também ser usadas.
O primeiro-ministro russo, Vladimr Putin, afirmou ontem que, ‘‘por ora’’, não haverá uma invasão terrestre. Tudo vai depender do resultado dos bombardeios em curso, disse ele.
Ontem, sexto dia consecutivo dos ataques à capital chechena, Grozny, oito pessoas morreram, segundo as autoridades locais. Foram atingidos uma escola, várias casas, uma refinaria, um depósito de combustível e um centro de televisão em construção. Segundo o governo checheno, mais de 300 pessoas morreram desde o dia 5, quando a Rússia começou a bombardear a república.
O Ministério da Defesa russo insiste que as incursões visam apenas ‘‘alvos precisos’’, ou seja, locais utilizados pelos rebeldes islâmicos que, em agosto e no início do mês, invadiram a república russa do Daguestão, vindos da Chechênia. Eles foram expulsos e estão concentrados na fronteira chechena.
O Kremlin também acusa os extremistas pela onda de atentados que matou 293 pessoas na Rússia desde o dia 31.
As autoridades chechenas garantem, porém, que o número de vítimas civis sobe dia a dia. E aumenta também o fluxo de refugiados em direção à república russa da Ingushétia.
De acordo com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur), 50 mil pessoas fugiram para a Ingushétia desde quinta-feira, quando a Rússia bombardeou Grozny pela primeira vez desde o fim da Guerra da Chechênia (1994-1996). No domingo, a república fechou sua fronteira, mas a reabriu ontem e pediu ajuda à ONU para acolher os refugiados.
Ainda ontem, o Ministério do Interior russo informou já ter prendido várias pessoas responsáveis pelos atentados e identificado todos os terroristas implicados. O país pediu à Interpol ajuda para prender 17 dos acusados, que estariam na Chechênia.
Os termos ‘‘checheno’’ e terrorismo agora são manejados quase como sinônimos e, portanto, houve pouca oposição ao fato de que a Rússia despejará, por seu lado, o terror sobre a Chechênia.
Na segunda-feira, o comando militar russo encabeçado pelo ministro da Defesa, Igor Sergeyev, anunciou que os ataques aéreos prosseguirão.
O chefe da Força Aérea, Anatoly Kornukov, disse que os bombardeios continuarão até que as bases terroristas tenha sido destruídas. Ele afirmou que os ataques são precisos e que eles respeitam as zonas civis.

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