O presidente russo, Boris Yeltsin, sofreu ontem um novo revés ao convocar uma reunião de emergência do Grupo dos Oito (os sete países mais industrializados mais a Rússia) a fim de buscar uma solução diplomática para a guerra nos Bálcãs, proposta que foi rechaçada pelos Estados Unidos. Yeltsin havia pedido a convocação convencido de que o conflito nos Bálcãs pode ultrapassar as fronteiras da Iugoslávia.
Numa breve mensagem pelo rádio e televisão ao país, o líder do Kremlin disse que ‘‘a agressão da Otan’’ não se detém e ‘‘lamentavelmente se estende’’ e que ‘‘pode ser detida apenas voltando-se à mesa de negociações’’.
‘‘Por isso - acrescentou Yeltsin - encarreguei o chanceler Igor Ivanov de pedir uma reunião urgente dos chanceleres dos países industrializados do G-8’’ (Estados Unidos, Japão, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Itália, Canadá e Rússia).
Ivanov considerou também que a captura de três soldados americanos na fronteira com a Macedônia e a intensificação das operações da Otan são um sinal alarmante de uma ampliação do conflito.
O chefe da diplomacia russa lembrou que está em perigo a estabilidade da Albânia, Bulgária e Hungria, além da da Macedônia e Bósnia.
Por outro lado, se a crise se estender, as forças armadas russas deveriam assumir novas iniciativas, advertiu Ivanov.
Mas o ministro reafirmou que Moscou não se deixará arrastar para a guerra.
Entretanto, o envio de um navio de reconhecimento da frota do Mar Negro constitui um sinal: a nave partirá hoje do porto ucraniano de Sebastopol, atravessará o Bósforo em 3 de abril e deverá chegar no Adriático dia 5.
A missão tem por objetivo ‘‘garantir a segurança da Rússia’’ já que está ocorrendo ‘‘uma escalada do conflito e a Otan está entrando na terceira fase da agressão contra a Iugoslávia’’, disse Ivanov.

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