Rússia sofre fortes perdas em Grozny, mas nega
Ruslan Musayev
Associated Press
De Grozny
Forças russas bombardearam intensamente ontem o centro de Grozny, um dia depois que combatentes rebeldes destroçaram uma coluna blindada russa, deixando os corpos de pelo menos 115 soldados espalhados pelas ruas. Um repórter da Associated Press (AP), que testemunhou os combates de quarta-feira, contou posteriormente os corpos e viu as carcaças carbonizadas de sete tanques e oito blindados de deslocamento de tropas na Praça Minutka, próxima do centro da capital chechena.
A batalha da noite de quarta-feira foi aparentemente a pior derrota que os militares russos já sofreram desde que suas forças entraram na Chechênia em setembro numa tentativa de restaurar o controle de Moscou sobre a província separatista.
Irados generais russos negaram ontem que suas forças sofreram qualquer perda ou mesmo que tentaram enviar tanques para Grozny. Redes de televisão controladas pelo governo divulgaram a negativa, dando poucos detalhes do combate. Notícias sobre a derrota de uma coluna blindada russa para rebeldes na Praça Minutka de Grozny são mentiras e desinformação, afirmou o ministro da Defesa russo, Igor Sergeyev, à agência de notícias Interfax. Nenhum veículo blindado russo entrou na cidade.
Usando linguagem do estilo da Guerra Fria, os militares garantiam que as notícias sobre a batalha eram provocação de agências de notícias ocidentais, que segundo eles estariam trabalhando a favor das forças chechenas.
Um comandante rebelde, Tsupyan Magomadov, disse à AP que não podia confirmar o número de mortos no combate na Praça Minutka. A agência de notícias russa Interfax, citando fontes não especificadas, divulgou que 25 soldados russos foram mortos ou feridos na emboscada.
Segundo Magomadov, a artilharia russa voltou ontem a bombardear a cidade e seus arredores, com os combates se concentrando numa colina que é o ponto mais alto da região. Centenas de combatentes chechenos disparando lançadores de granada e metralhadoras emboscaram e cercaram a coluna blindada na imensa praça, a cerca de 3 km do centro da cidade. Os largos tanques russos, presos na armadilha, foram atingidos repetidamente pelos rebeldes, que disparavam de posições encobertas.
Generais russos vinham insistindo por semanas que eles não promoveriam um grande ataque terrestre contra Grozny porque queriam evitar uma repetição das grandes perdas sofridas pelo exército na cidade durante a guerra de 1994 a 1996.





