Rússia se prepara para assalto final à capital da Chechênia
France Presse
De Grozny
As forças russas estão ultimando ontem os preparativos para o grande ataque a Grozny, cuja data continua em segredo, informaram fontes militares russas. As forças especiais russas e as tropas do Ministério do Interior, assim como as unidades de voluntários chechenos pró-russos, envolvidas na operação, tomam suas posições na periferia da cidade, segundo um dos chefes militares encarregados do ataque final.
Os soldados irão hoje (ontem) à linha de frente, examinarão tudo de perto e saberão o que cada um deles terá de fazer precisamente e que distrito de Grozny tomará, explicou. Estamos instalando meios de comunicação entre as unidades, dando as contra-senhas, os indicativos e os códigos aos participantes na operçaão, adiantou o militar.
Os militares destas unidades dizeram que já receberam a ordem de colocar em seus uniformes sinais especiais para evitar ser mortos por seus companheiros na próxima operação em Grozny.
A data do grande ataque à capital chechena já foi marcada, mas se mantém em segredo, segundo uma autoridade. Em Moscou, o ministério desmentiu ontem informações da agência militar AVN sobre a destituição do general Vladimir Shamanov, comandante da Frente Ocidental na Chechênia, por causa do massacre na área sob seu controle.
Dezoito militares foram detidos como parte da investigação da matança de 41 civis e de saques pelo Exército russo durante a conquista da aldeia chechena de Alkhan-Yurt, no início do mês. A Interfax acrescentou que a cúpula militar não comentou as declarações do empresário.
O Ministério da Defesa continua assegurando que os soldados russos atuaram de maneira adequada ao responder com artilharia e disparos de tanques a ataques dos rebeldes no momento que as tropas entraram no vilarejo. Saidulayev e moradores de Alkhan-Yurt disseram à imprensa internacional que os militares lançaram granadas nos porões das casas, onde a população se refugiara dos bombardeios, e destruíram várias residências.
Cerca de 250 mil pessoas abandonaram a Chechênia desde que a Rússia iniciou sua ofensiva militar, em outubro. Entidades humanitárias internacionais criticam o tratamento dado pelos russos aos refugiados e acusam o país de não providenciar comida e medicamentos para forçar os chechenos a ir para as regiões já controladas pelos militares russos na Chechênia. Segundo o Ministério de Situações Emergenciais, mais de 60 mil pessoas retornaram à república.





