Rússia rejeita nova proposta dos EUA
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terça-feira, 22 de outubro de 2002
Agência EFE 
MoscouO ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, Igor Ivanov, declarou ontem que Moscou não está de acordo com a nova versão da resolução dos Estados Unidos sobre o Iraque, que deixa aberta a possibilidade do ''uso automático da força''. ''O projeto de resolução norte-americano, apresentado segunda-feira, por enquanto não corresponde aos critérios que a Rússia tinha exposto anteriormente e que reitera nesta ocasião'', disse Ivanov à imprensa em Moscou.
O chefe da diplomacia russa informou que ontem mesmo tratou sobre o novo documento em conversas pelo telefone com seus colegas norte-americano, Colin Powell, e francês, Dominique de Villepin.
Ivanov destacou que a nova minuta da resolução ainda não foi apresentada ao Conselho de Segurança da ONU e que os países-membros ainda realizam consultas sobre o texto. Mas outras fontes diplomáticas disseram à agência RIA-Novosti que Washington pode apresentar hoje, oficialmente, o documento ao Conselho de Segurança.
Para a Rússia, o novo texto da resolução deve ''assegurar o trabalho eficaz dos inspetores de armas no Iraque, ser realista e não conter propostas que abram o caminho para o uso automático da força'' contra o regime de Bagdá, assegurou Ivanov.
Em um projeto assim a Rússia estaria disposta a trabalhar com outros países, para obter uma decisão consensual que permita ''manter a unidade no Conselho de Segurança e abrir caminho para a solução do problema iraquiano com base em tal resolução'', acrescentou.
Ivanov disse ainda que, na opinião do Kremlin, para enviar os inspetores da ONU ao Iraque ''não é necessária resolução alguma''.
No entanto, admitiu que ''pode ser aceita'' a opinião do chefe dos inspetores, Hans Blix com quem conversou ontem mesmo em Moscou , de que a resolução deve ser adotada antes, e não depois, do envio dos especialistas ao Iraque para investigar seus programas de armamento.
Por último, afirmou que, além da Rússia, ''expuseram suas considerações'' sobre a nova minuta dos EUA a França e a China, que desde o princípio também se opunham a referendar no texto a possibilidade de um ataque, embora não tenham mencionado suas posturas.
Depois de receber, segunda-feira à noite o novo projeto norte-americano, fontes oficiais russas já expressaram ontem sua ''grande decepção'' pelo texto. Fontes citadas por agências russas previram que o Conselho de Segurança terá ''um trabalho intenso e difícil'' nos próximos dias.
FrustraçãoOs Estados Unidos manifestaram ontem sua frustração pela falta de avanços nas negociações na ONU sobre uma nova resolução com relação ao Iraque, e ressaltaram que as Nações Unidas não têm todo o tempo do mundo. O porta-voz da Casa Branca, Ari Fleischer, declarou que a paciência norte-americana tem um limite, e que a tentativa de seu governo de conseguir um acordo rápido dentro da ONU ''está se aproximando do fim''.
O porta-voz da Casa Branca reiterou que os EUA seguem tentando que o Conselho de Segurança aprove uma única resolução sobre o Iraque que estabeleça o desarmamento iraquiano e as modalidades do trabalho dos inspetores de armas, com a possibilidade do uso da força se Bagdá não cumprir com esses termos.


