A primeira reunião dos chanceleres dos países do Grupo dos Oito desde que tiveram início os bombardeios da Otan contra a Iugoslávia conseguiu ontem em Bonn que a Rússia aceitasse compor uma força internacional para Kosovo, aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Os ataques da Otan contra a Iugoslávia prosseguem por enquanto e muitos problemas continuam pendentes, mas a Rússia aceitou um acordo de princípio que prevê ‘‘aquartelar (em Kosovo) eficazes presenças internacionais e de segurança’’ com mandato da ONU para garantir o retorno dos refugiados.
Do texto adotado ontem pelo G-8 (Estados Unidos, Canadá, Japão, Grã-Bretanha, Alemanha, França, Itália e Rússia) não consta a palavra Otan nem a expressão ‘‘força militar’’, porque essas são as concessões exigidas pela Rússia para unir-se à iniciativa.
Entretanto, disseram fontes diplomáticas, a Rússia aceitou nos bastidores que a força estacionada em Kosovo esteja armada. Em Roma, o chefe do governo italiano, Massimo D’Alema, disse que a única força armada em Kosovo deverá ser a que estará sob a égide das Nações Unidas. ‘‘Todas as outras deverão estar desarmadas.’’
Os chanceleres do G-8 não fizeram nenhuma referência aos bombardeios, que devem prosseguir ainda por dias ou semanas. A suspensão dos ataques dependerá da rapidez com que as linhas-mestras traçadas ontem em Bonn se traduzam em diretivas concretas e sejam colocadas numa resolução a ser submetida ao Conselho de Segurança.
Não faltará trabalho, como adiantou o ministro do Exterior alemão, Joschka Fischer, presidente de turno do G-8. ‘‘Há muito o que fazer antes de poder levar em consideração a suspensão dos bombardeios. Sobre isto, ainda existem divergências. Hoje encontramos uma linha comum sobre os princípios, mas ainda temos de desatar muitos nós. De toda forma foi dado um passo substancial.’’
O chanceler russo, Igor Ivanov, não deixou de advertir os sócios do G-8 que ‘‘agora se deve retomar as negociações com Belgrado e com todas as partes interessadas e não se pode nem sequer começar a se buscar uma solução política real sem antes suspender preventivamente as operações militares’’.

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