Associated Press
De Makhachkala
O vice-ministro do Interior da Rússia, Igor Zubov, anunciou ontem, em Moscou, uma operação massiva das forças federais russas contra os rebeldes do Daguestão ‘‘para os próximos dias’’. Os guerrilheiros islâmicos radicais, predominantemente da tendência wahabita, invadiram o sudoeste daguestanês no fim de semana - vindos de território checheno - e na terça-feira proclamaram um Estado islâmico na república autônoma.
As tropas federais na região conflitiva congregam de 5 mil a 6 mil homens e os rebeldes teriam pelo menos 1,2 mil. No começo do conflito, no sábado, as autoridades calculavam que de 300 a 600 militantes islâmicos fundamentalistas teriam entrado no Daguestão pela fronteira da chechena.
Entretanto, essa cifra vem sendo revista dia a dia. Ontem, Zubov fez referência a cerca de 1,5 mil combatentes enquanto o primeiro-ministro do Daguestão, Jizri Shijsaídov, disse haver quase 2 mil rebeldes nas regiões de Botlikh e Tsumadin. Embora estejam em número bem inferior às forças russas, os guerrilheiros conseguiram manter quase todos os povoados ocupados no fim de semana, quando iniciaram sua investida.
Os rebeldes derrubaram ontem um helicóptero russo, matando um suboficial e ferindo quatro generais. Com isso, elevam-se para 11 o número de mortos e 27 o de feridos. Já as forças russas anunciaram ter recuperado dois povoados no distrito de Tsumada e cercado o acesso a Botlikh, principal cidade da região e local onde será lançada a oepração massiva das tropas federais.
Zubov disse que os rebeldes estão recebendo ‘‘milhões de dólares do estrangeiro’’, mas não mencionou os países, alegando querer evitar ‘‘mal-entendidos diplomáticos’’. O Ministério do Interior garantiu ontem que o militante jordaniano Khataba, comandante do ‘‘exército islâmico do Daguestão’’, foi ferido num ataque de tropas russas. A aviação russa destruiu ontem um quartel-general e instalações antiéreas dos rebeldes em Botlikh Tsumada, na zona fronteiriça com a Chechênia. Segundo o jornal russo Izvestia, um grupo de 200 muçulmanos radicais, procedentes do Paquistão e do Oriente Médio, controlavam dois povoados do distrito de Tsumada - os quais as forças russas anunciaram ter sido retomados na quarta-feria à noite.
Zubo informou ainda que o Kremlin enviou uma carta ao presidente checheno, Aslam Maskhadov, instando-o a apoiar as tropas russas no combate aos rebeldes e a desbaratar os grupos guerrilheiros atuando nessa república. Maskhadov rechaçou o pedido, dizendo que a ‘‘Chechênia não se deixará envolver num conflito em território estrangeiro’’ - os chechenos travaram uma guerra com a Rússia por sua independência (1994-1996) e forçaram a saída das tropas russas de seu território. Moscou não reconhece a independência nem outros países.
Na quarta-feira, o checheno Shamil Bassaiev - considerado terrrorista por Moscou - anunciou estar no comando da ‘‘guerra santa’’ contra os russos no Cáucaso do Norte e indicou Khataba como ocomandante do exército.
O primeiro-ministro russo Vladimir Putin instruiu ontem o Ministério das Finanças a obter imediatamente verbas para as tropas no Daguestão. É o maior desafio à autoridade central desde a Guerra da Chechênia 1994-1996), desencadeada após o governo checheno ter declarado a independência dessa república russa.

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