MOSCOU - A Rússia poderá abandonar o princípio de não-utilização de arsenal nuclear em resposta a um ataque de outro país com armas convencionais, anunciou um alto funcionário.
‘‘Todos devem saber que em caso de um desafio direto nossa resposta será enérgica e com a liberdade de escolher o tipo de arma, inclusive as nucleares’’, afirmou o secretário do Conselho de Segurança, Ivan Rybkin, em uma polêmica matéria publicada ontem pelo jornal Rossiiskaya Gazeta.
Os comentários de Rybkin foram feitos em meio a uma total desmoralização do Exército russo, que sofre com cortes de verbas, retardamento das reformas necessárias (como a profissionalização de sua tropa e a modernização de seus equipamentos) e com atrasos de salários.
‘‘Nossa força nuclear continua aí para desencorajar aventureiros militares que pensem em explorar as dificuldades da Rússia’’, avisou o secretário na entrevista.
Mas a ameaça de utilizar arsenal atômico pode ser entendida também como uma reação russa aos planos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) de incorporar países do Leste Europeu antes aliados da Rússia no Pacto de Varsóvia.
Durante a transição democrática na década de 80, o então líder soviético Mikhail Gorbachev prometeu ao mundo que a União Soviética não usaria primeiro armamentos nucleares em qualquer conflito armado. Entretanto, na opinião de Rybkin, a Rússia de hoje não deveria cumprir esta promessa.
O porta-voz do presidente Boris Yeltsin, Sergei Yastrzhembsky, destacou porém que ‘‘apenas o presidente, o primeiro-ministro ou o ministro das Relações Exteriores podem falar oficialmente a respeito’’.

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