Associated Press
De Moscou
No quinto dia da sangrenta operação de assalto ao centro de Grozny, o Exército russo admitiu ontem ter ‘‘perdido’’ um general – o primeiro desde o início do conflito em 1º de outubro – sem esclarecer se está vivo ou morto. Os rebeldes separatistas chechenos disseram ter capturado o general Mikhail Malofieyev, de 44 anos, mas a agência Itar-Tass informou, citando ‘‘testemunhas oculares’’ que o militar russo recebeu três tiros, um deles na cabeça, e morreu instantaneamente.
Segundo o comando militar russo, o general Malofieyev é casado e pai de dois filhos. Ele participou da primeira guerra da Chechênia, de dezembro de 1994 a agosto de 1996. ‘‘O general está detido em lugar seguro, onde neste momento é submetido a interrogatório’’, disse o chefe máximo dos rebeldes, Shamil Bassayev.
O Exército russo informou ter realizado ontem 200 missões aéreas contra a capital chechena, utilizando caças-bombardeiros e helicópteros de ataque. Foram lançadas também sobre as posições rebeldes algumas dezenas de mísseis, acrescentou um porta-voz militar.
Segundo o porta-voz, as tropas russas avançavam ontem sobre toda a cidade, combatendo de casa em casa. O líder guerrilheiro Movladi Udugov classificou de ‘‘diminuto’’ o deslocamento das tropas russas.
Udugov disse ser ‘‘completamente falsa’’ a informação dada pelo Exército russo de que ocupou o centro de Grozny. ‘‘A Praça Minutka e a estratégica Ponte Jukovski continuam sob nosso controle.’’
Udugov admitiu que os combates têm sido violentos e que há na região ‘‘um grande número de cadáveres insepultos’’. Ele disse que 45 rebeldes morreram ‘‘nos últimos quatro dias’’ e estimou as baixas russas em 1,5 mil no mesmo período. ‘‘Pelo menos 2,3 mil civis morreram’’, ressaltou. Calcula-se que existam entre 10 mil e 40 mil civis vivendo em porões e ruínas de Grozny.
Citando fontes militares russas, a agência noticiosa independente Interfax fixou o número de soldados russos mortos em 23 e o de feridos, em 53.
Por sua vez, o chanceler russo, Igor Ivanov, desmentiu versões da imprensa moscovita, segundo as quais houve contatos recentes entre representantes do governo russo e chefes separatistas chechenos. ‘‘Não ocorreu nenhum encontro nem jamais ocorrerᒒ, garantiu o chanceler.
A propósito, os generais russos já estabeleceram uma data para o fim da campanha na Chechênia: 26 de fevereiro – um mês antes das eleições presidenciais russas. Anunciada pelo vice-comandante das forças russas no norte do Cáucaso, general Gennady Troshev, a previsão, uma vez confirmada, aumentaria as chances de vitória do presidente interino Vladimir Putin, até agora o favorito do eleitorado russo.
Em Estrasburgo (França), o Parlamento Europeu exortou o governo russo a permitir a visita de observadores internacionais nos campos de refugiados chechenos na região do Cáucaso.Mikhail Malofieyev, de 44 anos, estaria prisioneiro, segundo rebeldes chechenos, ou morto, na versão da agência Itar-Tass
France PresseVivo ou morto?O general Mikhail Malofieyev (e) e outro militar não identificado. Até ontem não havia confirmação de sua morteFrance PressePoder de fogoAtirador russo alveja posições rebeldes nas montanhas da região de Argun, a leste da capital Grozny

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