São Paulo - O chanceler da Rússia, Sergei Lavrov, pediu ontem que os países da União Europeia não interfiram na crise política da Ucrânia. A declaração é feita em meio a confrontos na capital Kiev em protestos contra o presidente Viktor Yanukovich.
A atuação de Moscou é um dos motivos das manifestações realizadas pela oposição ucraniana há dois meses, após o mandatário do país rejeitar a entrada na UE, após pressão russa. Em dezembro, o Kremlin autorizou o envio de US$ 15 bilhões (R$ 35 bilhões) à Ucrânia e baixou o preço do gás que exporta para o país.
As medidas aliviaram as manifestações, que voltaram no último domingo, após a aprovação de uma lei que restringe os protestos. Ontem, opositores mascarados voltaram a entrar em confronto com a polícia ao tentar uma nova invasão à sede do governo.
Em entrevista coletiva, o chanceler russo pediu que os países da Europa Ocidental se abstenham de interferir na crise. "Nós preferimos que alguns de nossos colegas europeus abstenham-se de agir sem cerimônia sobre a crise ucraniana."
Lavrov ainda criticou a visita realizada aos manifestantes pela vice-secretária de Estado americana, Victoria Nuland, a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, e o então ministro das Relações Exteriores alemão, Guido Westerwelle. "Isso é simplesmente repugnante."
A Rússia, que considera a também ex-república soviética parte de seu tradicional círculo de influência, tem acompanhado com atenção os protestos contra o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, pela decisão de abandonar um acordo com a União Europeia.

Confronto
Ontem, centenas de manifestantes continuaram a enfrentar a polícia em frente à sede do governo, em Kiev. Segundo o serviço médico, cem civis e 60 policiais já ficaram feridos nos confrontos.

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