Associated Press
De Grozny, Rússia
Autoridades russas apresentaram ontem versões contraditórias sobre um ataque a Grozny que matou pelo menos 143 pessoas, com líderes políticos negando qualquer papel da Rússia mesmo depois que um porta-voz militar ter afirmado tratar-se de uma operação especial.
Pelo menos 10 mísseis russos atingiram o mercado livre de Grozny e outras partes do centro da cidade na quinta-feira, provocando grande destruição e deixando centenas de homens, mulheres e crianças mortos e feridos, disseram testemunhas. Militares russos afirmaram que o ataque visava um bazar ilegal de armas e insistiram que nenhum civil foi morto.
Mas o mercado, um amplo complexo de barracas onde a maioria dos vendedores oferece comida e produtos domésticos, estava repleto de civis. Repórteres da Associated Press viram dezenas de vítimas civis, incluindo muitas mulheres e crianças, no próprio mercado e em hospitais de Grozny. Armas são vendidas em algumas partes do mercado. Muitos homens chechenos normalmente carregam armas.
O primeiro-ministro Vladimir Putin, participando de uma reunião de cúpula da União Européia em Helsinque, confirmou que houve uma explosão no mercado, mas sublinhou que o local era ‘‘uma base de armas, um depósito de munição’’.
A Rússia enviou tropas para a Chechênia seguindo-se a semanas de ataques aéreos que tinham o objetivo de eliminar militantes islâmicos que invadiram o vizinho Daguestão. Os militantes também são acusados por atentados contra prédios residenciais na Rússia que mataram cerca de 300 pessoas.
Moscou informou ontem que está disposto a negociar com autoridades chechenas, desde que seis exigências sejam atendidas. Entre elas estão a aceitação da autoridade russa, o desarmamento dos militantes e a libertação de todos os reféns.

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