MoscouA Rússia entrou ontem quase totalmente em acordo com os Estados Unidos e a Grã-Bretanha na crise do Iraque e sugeriu pela primera vez seu apoio a uma dura resolução na ONU diante do ''temor'' ao arsenal do regime do presidente Saddam Hussein. ''Não descarto a possibilidade de chegar a decisões conjuntas, incluída uma resolução da ONU'', anunciou o presidente Vladimir Putin depois de se reunir com o primeiro-ministro britânico, Tony Blair. Putin vinculou a mudança radical da posição russa na crise à necessidade de comprovar de uma vez se o Iraque possui ou não armas químicas, biológicas e nucleares de destruição em massa. ''Nós tememos que estas armas possam existir, e por isso exigimos o envio o mais rápido possível ao Iraque dos inspetores internacionais'', declarou à imprensa depois de sua segunda reunião com Blair em doze horas.
Washington e Londres propõem que o Conselho de Segurança exija ao regime de Saddam o desmantelamento de suas armas de destruição em massa e o retorno depois de quatro anos de ausência dos inspetores para verificações ''irrestritas''.
Putin disse que estão ''de acordo no que é preciso levar em conta da experiência negativa do trabalho dos anteriores inspetores'' internacionais de armas, que deixaram o Iraque em 1998 devido aos obstáculos de Bagdá a seu trabalho.
''Estamos dispostos a buscar com nossos sócios a possibilidade de garantir o trabalho dos inspetores no Iraque, (e) com este objetivo, não descarto a possibilidade de adotar uma decisão conjunta, inclusive uma resolução na ONU'', disse textualmente Putin.
A Rússia ''vigia possivelmente com mais rigor que qualquer outro país'' para que não haja armas no Iraque, disse Putin.
Mas apesar de se alinhar com os EUA e a Grã-Bretanha, o Presidente russo disse que na sua opinião não há ''necessidade jurídica'' de adotar novas resoluções, como Blair e o presidente norte-americano, George W. Bush, querem.
O chefe do Kremlin rejeitou as versões sobre o suposto ''preço'' em interesses petroleiros russos em troca do apoio a uma resolução e disse que tinha convidado Blair para conversar sobre questões sérias.
Para reforçar seus argumentos, Putin admitiu a preocupação com os interesses russos na região, mas acrescentou que ''há coisas pelas quais não pode passar, e é intolerável a existência de armas de destruição em massa'' no Iraque.

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