Associated Press
De Moscou
Ignorando apelo de paz de sete chanceleres do chamado Grupo dos Oito (G-8), do qual faz parte, a Rússia intensificou ontem sua campanha militar em toda a Chechênia, voltou a despejar toneladas de bombas sobre Grozny e assegurou ter conquistado importante reduto rebelde.
O lançamento da nova ofensiva, definida pelo alto comando russo como início da ‘‘fase final’’ da operação militar na pequena república muçulmana do Cáucaso, ocorreu 48 horas antes das eleições gerais russas de domingo, para renovação da Duma (Câmara Baixa do Parlamento russo). A maioria esmagadora dos partidos políticos russos apóia a intervenção das Forçar Armadas naquele território.
O comandante das tropas russas na Chechênia, general Vladimir Shamanov, disse que pretende tomar Grozny até o ano-novo. ‘‘Ocupamos uma das oito colinas da capital chechena, de onde podemos observar mais de 70% da cidade - de sul a norte’’, disse o militar em entrevista à televisão moscovita NTV. ‘‘Até o ano-novo, Grozny será libertada’’, previu. Ele classificou a atual etapa da operação militar de ‘‘fase final’’ e admitiu que o pior do conflito ‘‘ainda está por chegar’’.
Pela manhã, a periferia da capital chechena, ocupada pelas forças russas, foi percorrida pelo ministro das Situações Emergenciais, Serguei Shoigu. Ele reiterou que a campanha militar continuará e reafirmou a decisão do Kremlin de não mais manter negociações políticas com o presidente checheno, Aslan Maskhadov. ‘‘Estamos dispostos apenas a debater a situação dos civis que ainda permanecem na cidade’’, destacou. O ministro disse que está abrindo novos corredores para retirada dos civis e requisitando ônibus para transportá-los.
Shoigu voltou a negar que mais de cem soldados russos tenham morrido e pelo menos 20 blindados destruídos numa desastrada tentativa de chegar ao centro da capital chechena. ‘‘Isso é pura desinformação.’’
Mas repórteres da Associated Press em Grozny confirmaram a fracassada tentativa. Além disso, o grosso dos bombardeios de ontem a Grozny, efetuados pela Força Aérea, concentrou-se naquela região da cidade, onde os russos teriam sido violentamente rechaçados pelos rebeldes muçulmanos.
O comandante da frente oriental russa, general Guennadi Troshev, também tentou negar o episódio. ‘‘Estamos próximos de nosso objetivo, que é a aniquilação dos terroristas’’, ressaltou, numa referência à conquista, na manhã de ontem, do acampamento de Kavkaz (30 quilômetros a sudeste de Grozny), importante reduto separatista controlado pelo comandante Khattab, um dos principais líderes rebeldes. A perda da base chegou a ser admitida pelos separatistas. Mas, horas depois, Khattab, um jordaniano acusado de ser o arquiteto dos atentados a bomba em Moscou que causaram a morte de quase 300 civis russos, anunciou a retomada do acampamento.
Em Berlim, o ministro das Relações Exteriores russo, Igor Ivanov, participou da reunião de cúpula do G-8, que elegeu como tema central dos debates o conflito checheno. A secretária de Estado americana, Madeleine Albright, fez duras críticas à política russa na região e manifestou a grande preocupação dos Estados Unidos com a escalada militar no Cáucaso. Mas rejeitou as propostas de seus colegas da Grã-Bretanha, França, Alemanha, Itália e Japão de adotar sanções econômicas contra a Rússia. ‘‘Não creio que seja útil especular sobre isso.’’
Ivanov não se deixou intimidar e não deu nenhuma esperança de que Moscou possa ceder. ‘‘Não vim aqui para debater a questão chechena.’’ O chanceler francês, Hubert Védrine, resumiu o sentimento predominante no fim do encontro. ‘‘Saio daqui completamente decepcionado.’’Apesar dos apelos de cessar-fogo dos membro do G-7 reunidos ontem em Berlim, as tropas de Yeltsin despejaram toneladas de bombas na região
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