São Paulo - O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou ontem que a Rússia não tem intenção de enviar tropas para a Ucrânia. "Não temos nenhuma intenção de enviar nenhum destacamento a lugar algum", disse Lavrov em entrevista à agência Bloomberg, divulgada pela emissora Rossiya 24, sobre a possibilidade de tropas russas serem destacadas no sudeste da Ucrânia. Os habitantes russófonos do sudeste ucraniano se sublevaram contra o governo de Kiev e duas regiões, Lugansk e Donetsk, proclamaram sua independência. Lavrov afirmou na entrevista que a Rússia é contra uma possível incorporação da Ucrânia à Otan (aliança militar do Ocidente).
Três ex-repúblicas soviéticas e boa parte dos antigos países da cortina de ferro ingressaram na Aliança. "As tentativas de incorporar a Ucrânia serão negativas para todo o sistema de segurança da Europa e estamos categoricamente contra. Aqui não há nada o que ocultar", disse. "Esta é uma questão que afeta não só aos ucranianos e à Otan, mas também à Rússia", justificou. Lavrov denunciou que a Rússia tem "sérias suspeitas" de que as informações sobre a presença de mercenários americanos na Ucrânia podem ser verdadeiras.
Sobre os habitantes russófonos do sudeste rebelde da Ucrânia, o chefe da diplomacia russa disse que eles não querem ser chamados de "pró-Rússia nem pró-Estados Unidos, querem ser chamados ucranianos". "Quando você espera que te tratem como um igual e te tratam como um lixo, como a uma fera, ou te ignoram completamente, como fizeram as autoridades de Kiev nos últimos dois ou outros meses, então entendo que o povo quer chamar a atenção sobre seus problemas", argumentou.
"Respeitamos os resultados dos referendos" de independência realizados nas regiões de Donetsk e Lugansk", acrescentou.

GUERRA CIVIL
"Quando os ucranianos matam os ucranianos, eu acredito que isto é o mais perto de uma guerra civil que você pode estar", disse Lavrov. O ministro acrescentou que "no leste e sul da Ucrânia há uma guerra, uma guerra de verdade, na qual armamento pesado é utilizado". "E se isto vai levar a eleições livres e justas, então não sei o que significa livre e justo", completou. Kiev pretende organizar eleições presidenciais em 25 de maio. Mas o frágil governo de transição formado após a destituição do presidente pró-Rússia Viktor Yanukovitch está concentrado em uma ofensiva contra grupos separatistas, principalmente no leste do país.

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